A busca por um nome alternativo a Lula começou dentro do PT, apesar da insistência do ex-presidente de esticar até agosto

A busca por um nome alternativo a Luiz Inácio Lula da Silva começou dentro do PT, apesar da insistência do ex-presidente de esticar a novela, pelo menos, até agosto. Nas conversas com a direção do partido e com os mais chegados, Lula nunca abre brecha para a discussão. Nem os mais próximos têm coragem de abordar o assunto.

No circuito PT-Instituto Lula dá-se como certo que o ex-presidente será o senhor da escolha e do tempo em que a decisão será tomada. Mas dentro do próprio PT já há quem analise outras possibilidades. Teme-se que, se a decisão ficar para agosto, o PT corre o sério risco de ficar inteiramente isolado na sucessão presidencial.

Nos últimos dias, ganhou força a corrente que defende a aposta no slogan “Eleição Sem Lula é Fraude” e que o PT não tenha candidato, no caso da impugnação da candidatura de Lula.

O PT conversa nos bastidores mas procura não expor o ex-presidente. A corrente do deputado mineiro Patrus Ananias, ministro do Bolsa Família no governo Lula, está em franco crescimento, segundo fontes com acesso às costuras internas. Está mais forte que a de Jaques Wagner, ex-ministro da Casa Civil apontado como o favorito de Lula, mas que tem dado demonstrações de que não quer a indicação.

Patrus também já estaria em vantagem em relação a Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, que foi ministro nos governos Lula e integra uma ala minoritária do PT. Tarso também não quer parecer oportunista, pois em outras ocasiões já foi opção presidencial e no mensalão propôs a refundação do PT.

Por enquanto, a estratégia é levar o nome de Lula até o pedido de registro da candidatura de Lula, em agosto, que provavelmente será negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com base na Lei da Ficha Limpa. O PT ainda tentará levar o nome de Lula às urnas por meio de uma decisão judicial.

A agonia do PT ficou visível num artigo publicado na edição da última quarta-feira do jornal “O Estado de S. Paulo”, assinado pelo ex-deputado petista Paulo Delgado (MG), que saiu do partido.

O PT perde tempo, segundo fontes ouvidas pela reportagem. O melhor exemplo é São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin, virtual candidato do PSDB, avança nas articulações com o PSB, o PDT de Ciro Gomes e o PCdoB de Manuela d’Ávila.

Se efetivamente fechar com o PSB do vice-governador Márcio França, a chapa de Alckmin deve ganhar um viés de esquerda que pode levá-lo a avançar sobre o eleitorado do PT.

Até agora, nenhum dos nomes aventados como plano B do PT para a sucessão presidencial está consolidado no partido.

O ex-ministro Jaques Wagner desponta numa suposta preferência de Lula. Uma liderança petista aponta as vantagens de sua indicação: tem traquejo político, experiência administrativa — foi duas vezes governador da Bahia e também ministro da Defesa — e excelente trânsito entre os governadores do Nordeste que, até agora, preferem apoiar Lula.

A avaliação interna é que, se Lula apontar o dedo para ele como seu substituto oficial, o ex-governador teria potencial para fazer o partido decolar nas pesquisas, sobretudo por representar o quarto maior eleitorado do País e o maior Estado do Nordeste. O problema é que Wagner não quer a missão. Sem mandato há quatro anos, ele está dedicado a concorrer a uma vaga ao Senado, para a qual tem chances concretas de se eleger.

Os petistas não comentam abertamente, mas há forte restrição ao nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, um dos responsáveis pela “Carta aos Brasileiros” que Lula apresentará à sociedade como plataforma de sua candidatura. Com bom trânsito entre intelectuais e eleitores das classes A e B, há um receio de que ele não seria um puxador de votos com fôlego para alavancar o PT nas urnas.

As críticas internas ao ex-prefeito são de que ele se revelou, ao final da gestão, uma “Dilma de calças”, em uma alusão ao estilo burocrático da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo um integrante do Diretório Nacional, Haddad chegou a cancelar a participação em atos na periferia de São Paulo, durante a campanha à reeleição, para fazer reuniões com o secretariado. O PT sofreu derrota acachapante até entre os eleitores de baixa renda, tradicional eleitorado do partido.

Para completar, a postura de Haddad desagrada os petistas mais orgânicos, que se irritaram com o seu recente encontro, de mais de duas horas, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dirigentes petistas próximo de Lula também não se animam com a indicação do ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias para a vaga. Lembrado como o de um petista “limpo” de denúncias, o que favoreceria o partido, o ex-prefeito de Belo Horizonte não teve um desempenho expressivo à frente do ministério do Bolsa Família.

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