A democracia é a melhor forma de governo para 69% dos brasileiros, aponta a pesquisa Datafolha

O apreço pela democracia nunca foi tão forte entre os brasileiros, segundo a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (04). Para 69% dos eleitores, o regime democrático é a melhor forma de governo para o País. O índice é o mais alto registrado desde 1989, ano da primeira eleição para a Presidência da República após a ditadura militar (1964-1985), quando a questão foi aplicada pela primeira vez.

Houve crescimento em relação à última pesquisa Datafolha sobre o tema, em junho de 2018, quando 57% dos eleitores apontaram a democracia como a melhor forma de governo. Na última pesquisa, realizada nos dias 3 e 4, 12% dos eleitores apontam a ditadura como um regime melhor do que a democracia. Outros 13% dos entrevistados disseram que “tanto faz” a forma de governo. Além disso, 5% não opinaram.

A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados. O universo da pesquisa é composto pelos eleitores com 16 anos ou mais do País. No levantamento, foram realizadas 10.930 entrevistas presenciais em 389 municípios brasileiros. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-02581/2018.

A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, considerando a margem de erro, a chance do resultado retratar a realidade é de 95%. A democracia brasileira é garantida pela Constituição Federal de 1988, que cita em seu primeiro artigo que a Assembleia Nacional Constituinte se reuniu para instituir “um Estado Democrático”.

O texto prevê eleições para sete cargos no Brasil: vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, governadores e presidente. Na campanha eleitoral deste ano, representantes das duas chapas que lideram as pesquisas de intenções de voto – Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) – citaram a possibilidade de uma nova Constituição caso sejam eleitos.

O vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, defendeu a criação de uma nova Carta, que seria formulada por “grandes juristas e constitucionalistas”. “Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo. Já tivemos vários tipos de Constituição que vigoraram sem ter passado pelo Congresso eleitos”, afirmou o general, que no passado já defendeu intervenção militar em caso de instabilidade política.

Entre os eleitores de Bolsonaro, 22% avaliam que, em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura, índice mais alto do que o registrado entre os eleitores de todos os presidenciáveis. A maioria dos que afirmam votar no capitão reformado, 64%, diz que a democracia é a melhor forma de governo. Na fatia dos eleitores de Haddad, por exemplo, somente 6% opinam que “em certas circunstâncias, é melhor a ditadura”. Outros 77% dos eleitores petistas defendem a forma de governo com eleições.

Haddad inclui em seu programa de governo a possibilidade de convocar uma Assembleia Constituinte “democrática, livre, soberana e unicameral”, sob o argumento de esse ser um passo necessário para o restabelecimento do “equilíbrio entre os Poderes”, “assegurar a retomada do desenvolvimento” e a “garantia de direitos”.

A ideia de se redigir uma nova Carta foi criticada pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro José Antonio Dias Toffoli. Segundo ele, não há razão para criar uma nova Constituição, que acaba de completar 30 anos.

Nesta semana, Toffoli chamou de “movimento” o golpe de 1964, que instituiu a ditadura militar por mais de 20 anos no Brasil. O maior índice de aprovação da democracia foi registrado entre os jovens. São 74% dos eleitores entre 16 e 24 anos que concordam que o regime com eleições diretas é “sempre a melhor forma de governo”. São eleitores que nasceram após a primeira eleição para presidente da República, realizada em 1989.

A opinião de que a democracia é uma forma de governo sempre superior a outras tem menos respaldo entre os menos escolarizados (55%) e mais apoio entre os mais escolarizados (84%). Entre os mais pobres, 63% apontam a democracia como o melhor sistema de governo, índice que vai a 84% entre os entrevistados mais ricos.

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