A dona de clínica suspeita de aplicar falsas vacinas vai cumprir prisão domiciliar em Novo Hamburgo

A juíza Angela Roberta Paps Dumerque negou na tarde dessa sexta-feira  o pedido de revogação da prisão preventiva da proprietária da clínica Vacix, em Novo Hamburgo, presa por suposta fraude na aplicação de vacinas contra febre amarela, mas determinou a conversão da prisão para domiciliar.

Conforme a juíza substituta na 2ª Vara Criminal do Foro hamburguense, a ré enquadra-se na previsão legal que estabelece a prisão domiciliar, uma vez que possui dois filhos na faixa dos 10 anos de idade. Sobre a manutenção da prisão, ainda que atenuada, a magistrada justifica como necessária para garantir a instrução criminal.

“Diante das providências tomadas pela Vigilância Sanitária de interdição do estabelecimento comercial e apreensão de todos os medicamentos existentes naquele local e na residência da ré, não verifico, por ora, risco à ordem pública na conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar”, considerou a juíza.

A farmacêutica, investigada por suposta fraude envolvendo a aplicação de vacinas, também teve o passaporte apreendido. Fica proibida de deixar sua residência sem autorização judicial e de comunicar-se com a empresa, funcionários ou clientes da Vacix. Está também vedada a utilização de meios de comunicação. A Polícia Civil orienta que, quem foi vacinado nos últimos meses nessa clínica, deve procurar a Vigilância em Saúde da cidade e a Delegacia de Proteção ao Consumidor.

Quebra de sigilo

A pedido da autoridade policial, a juíza autorizou a quebra do sigilo do conteúdo armazenado nos aparelhos telefônicos apreendidos durante a investigação.

Conforme informações da denúncia, a mulher, inclusive, utilizaria a mesma agulha em pessoas diferentes, entre elas crianças e adolescentes. Geralmente isso era feito com as vacinas da febre amarela e também da meningite (ACWY e Meningo B).

O secretário estadual de Saúde, João Gabbardo dos Reis, acompanha a investigação. Ele confirmou que as aplicações de vacina eram simuladas.  “Estamos perplexos. Isso é uma coisa inédita, difícil de acreditar que alguém possa tomar uma iniciativa como essa. A ganância parece não ter limite para algumas pessoas”, afirmou Gabbardo.

O secretário afirmou que a clínica tinha autorização para vacinar e também possui alvará de funcionamento. Porém, ele explicou que existem algumas exigências que a clínica não estava cumprindo.

“Todas as clínicas são fiscalizadas e preenchem uma série de requisitos, só que elas devem fazer uma coisa que essa clínica não devia fazer, que é encaminhar à Secretaria da Saúde a relação das pessoas que foram imunizadas no local”, disse.

“E é de praxe que a clínica mostre ao usuário o frasco fechado, abra a seringa para mostrar que é descartável. Isso faz parte da rotina, até para deixar o paciente confortável”, acrescentou.

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