A economia argentina caiu 3,5% no terceiro trimestre e o país entrou em recessão

A economia da Argentina entrou, oficialmente, em recessão entre julho e setembro, após ter apresentado dois trimestres consecutivos de declínio econômico, de acordo com dados apresentados na última terça-feira (18), pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) do país.

O PIB (Produto Interno Bruto) mostrou que a economia argentina se contraiu 0,7% no terceiro trimestre em relação aos três meses imediatamente anteriores. Em relação ao mesmo período de 2017, o PIB argentino amargou recuo de 3,5%.

“Acreditamos que o declínio trimestral pode ser atribuído à combinação de uma tentativa de recuperação do setor agrícola após o recuo acentuado registrado no segundo trimestre como resultado da seca e de uma forte contração em grande parte de outros setores como resultado da crise cambial no país”, afirmaram analistas do Barclays, em nota a clientes. O banco britânico projetava uma contração de 3,5% na economia argentina entre julho e setembro.

No segundo trimestre, o PIB apresentou contração de 4,1% em relação ao período entre janeiro e março e sofreu recuo de 4,0% na comparação com o mesmo período de 2017.

De acordo com as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), 2018 fechará com a maior queda do PIB no período “Cambiemos”, o movimento que levou Maurício Macri à Presidência: -2,6%. Não há horizonte de recuperação para 2019, quando o FMI prevê queda de 1,6%.

Pacotes

O país fechou, no final de setembro, pacote de socorro com o FMI. Na realidade, naquele mês o acordo foi ampliado em US$ 7 bilhões, pois já havia sido selado acordo anterior no valor de US$ 50 bilhões, um mês antes. Ou seja, O Fundo está socorrendo o país em US$ 57 bilhões.

A Argentina foi obrigada a pedir ajuda ao FMI depois que o país mergulhou em uma crise cambial que levou o Banco Central do país a subir as taxas de juros para 45% ao ano.

Risco-país

O índice de risco-país da Argentina saltou de 600, no mês passado, para 767, depois de a economia ter sido declarada em recessão após somar três trimestres seguidos no vermelho, de acordo com o Indec.

Reunidos em caráter de emergência na manhã desta quarta-feira (19), na Casa Rosada, o presidente Mauricio Macri e a equipe econômica decidiram congelar os projetos de PPP (Parceria público-privada) previstos para 2019.

Em entrevista a jornalistas, o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, afirmou que: “os que estão em andamento, seguem, os novos morrem”. Segundo Dujovne, a recessão e o aumento da taxa de risco-país não são os únicos motivos, o ministro também citou a dificuldade de ter acesso a crédito externo.

A economia argentina vem em turbulência, ou “sendo vítima de tormentas”, como prefere definir Macri, desde abril, quando o peso começou a sofrer grande desvalorização — perdeu 55% do seu valor ante o dólar desde o início do ano –, o que levou o país a pedir um empréstimo atualmente fechado em US$ 57 bilhões ao FMI.

O risco-país, que estava em 374 no começo do ano, subiu para 783 em setembro e baixou, devido ao apoio internacional e o anúncio de ajustes incluídos no Orçamento para 2019, aprovado pelo Congresso. A nova alta, porém, associada à previsão de que a inflação encerrará o ano em 47%, alarmou o governo de Macri, que buscará a reeleição no ano que vem.

A paralisação dos projetos de PPP afet a principalmente as províncias, nas quais estavam previstas obras de infraestrutura que teriam início nos próximos meses.

Dujovne afirmou que cada caso será avaliado e, os que se considerarem de emergência, poderão seguir pela via do financiamento apenas estatal, se houver verba. Esta seleção ficará a cargo, inicialmente, do chefe de gabinete, Marcos Peña.

A notícia pode ter consequências eleitorais negativas para Macri, afinal sua eleição em 2015 dependeu muito do apoio dos governadores peronistas moderados, que prevalecem no interior do país e que, para 2019, já planejavam descolar-se do governo para ter uma candidatura própria. Uma degradação econômica  que afete principalmente suas províncias pode selar esse divórcio.

Segundo o FMI, a economia argentina terá uma queda de 2,6% de seu PIB neste ano.

 

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