A Ospa apresentou a sua nova casa, a “Casa da Música”

Nesta sexta-feira (23), véspera da inauguração da sua Sala de Concertos – na primeira sede em quase 70 anos de história – a Ospa (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) apresentou à imprensa o espaço construído no CAFF (Centro Administrativo Fernando Ferrari). A fase 1 da Casa da Música da Ospa será entregue à comunidade em concerto regido pelo maestro Evandro Matté neste sábado (24) às 17h.

Rodrigo da Rocha, músico da Ospa. (Foto: Letícia Castro/Especial/O Sul)

“Inacreditável”. Assim definiu o acontecimento o músico Rodrigo Rocha, que toca trombone e baixo na orquestra. “Dá um frio na barriga, é muita ansiedade”, completou. O músico lembrou a responsabilidade de tocar em uma sede que foi o sonho de gerações de músicos. “São 68 anos e diversas gerações de músicos que já se aposentaram, que nos deixaram, e é uma grande responsabilidade representar todas essas gerações e ocupar esse espaço. É uma grande honra e uma alegria”, explicou.

O maestro Evandro Matté relatou que o espaço foi cedido por trinta anos pela Secretaria de Educação, e que a fase 1 vai oferecer 1.100 lugares na Sala de Concertos. No segundo semestre deve ser inaugurada a fase 2, que inclui uma sala de recitais, espaço para ensaios de diferentes grupos da orquestra, entre outras melhorias, como elevadores, café e restaurante mais estruturados que os que serão abertos agora. “A fase 1 foi toda financiada pela LIC (Lei de Incentivo à Cultura)”, disse Matté. Entre os patrocinadores e apoiadores estão o grupo Zaffari e a empresa de ar condicionados Dufrio, além do Ministério Público. “O MP nos ajudou na ‘fase zero’, quando começamos os trabalhos no espaço, e o presidente da Fundação Cultural Pablo Komlós, Luiz Osvaldo Leite, também nos ajudou muito”, afirmou o maestro.

A construção coletiva, segundo os envolvidos no projeto, é a grande marca da nova casa. O superintendente administrativo da Ospa, Rogério Beidacki, lembrou que além da Sedactel (Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer), estão envolvidas as pastas da Educação, Administração e Recursos Humanos, Obras, Gestão, Modernização, Casa Civil, entre outras entidades e pessoas. “As pessoas tem muito carinho pelo projeto, recebemos apoios de diversos lados, da imprensa, do governo, de empresas”, relatou.

Os apoios financeiros podem continuar sendo feitos pelo site da Ospa. É possível fazer diferentes doações, inclusive uma que pode resultar na colocação do nome da pessoa na poltrona, que posteriormente também dará garantia de preferência na compra do ingresso.

O maestro e o titular da Sedactel, Victor Hugo, explicaram ainda que o projeto tem características altamente sustentáveis, como “baixíssimo consumo de energia elétrica” e 263 placas acústicas, fornecidas por uma empresa gaúcha de Campo Bom e outra americana, que vão além da estética, repercutindo no rebatimento acústico necessário para a sala.

Rogério Beidacki, Victor Hugo e Evandro Matté apresentaram a Sala. (Foto: Letícia Castro/Especial/O Sul)

A escolha do local

A nova casa da Ospa tomando formato. (Foto: Letícia Castro/Especial/O Sul)

De acordo com Victor Hugo, a ideia de aproveitar o espaço no CAFF está diretamente relacionada à escolha de Matté para a direção artística da Ospa. “Quando o governo decidiu escolher alguém da própria orquestra, ganhamos com o diferencial da vivência e escutamos o que os músicos já diziam e sabiam há muito tempo”, afirmou. Segundo o secretário, foi Matté quem identificou o local como ideal para o projeto.

Matté afirmou que há pelo menos 15 anos já havia visto o local. “O CAFF foi pensado com o projeto de um espaço assim, mas era um depósito até então”.

A sala

Perguntado a respeito das questões técnicas do espaço, Matté foi contundente. De acordo com o maestro, a vocação da Ospa são os concertos. “Quem critica muitas vezes não sabe, mas este espaço está de acordo com a vocação da orquestra que é a realização de concertos, com o público à sua volta. Óperas demandam de teatros, fosso para pelo menos 70 músicos, outro tipo de teto”, explicou. Para ele, o que falta em Porto Alegre é um teatro municipal como em outros Estados. “Mas já temos teatros como o do Sesi, da Puc e o São Pedro que são aptos a receber óperas”, completou.

Além dos concertos da Ospa o espaço passa a fazer parte dos equipamentos culturais de Porto Alegre e poderá receber outros eventos. Bem localizado, o local conta com estacionamento, segurança e fácil acesso.

Maestro Evandro Matté mostra o revestimento acústico. (Foto: Letícia Castro/Especial/O Sul)

O concerto

O programa de inauguração conta como convidado especial o pianista Christian Budu e terá como destaque a estreia de “Mba’epu Porã”, obra de Arthur Barbosa escrita especialmente para a ocasião, “Rhapsody in Blue”, de George Gershwin e a “Sinfonia nº 9 – Do Novo Mundo”, de Antonín Dvorák. Esse programa será reapresentado no domingo, no mesmo horário. O dia das apresentações também é uma novidade. Geralmente realizados nas terças-feiras, a orquestra agora pode escolher dias mais nobres, já que tem “casa própria”. (Letícia Castro/O Sul)

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