A Polícia Civil gaúcha capturou em Santa Catarina o ex-bancário condenado por atropelar dezenas de ciclistas em Porto Alegre, nove anos atrás

Agentes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) do Rio Grande do Sul capturaram na manhã desta quarta-feira (13) em Florianópolis (SC) o ex-bancário Ricardo José Neis, 56 anos, condenado múltiplas tentativas de homicídio e lesões corporais por atropelar um grupo de ciclistas no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O crime foi cometido na noite de 25 de fevereiro de 2011.

Em outubro do ano passado, ele teve expedido contra si o mandado de prisão definitiva por sentença penal condenatória, após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas nunca mais foi encontrado pelas autoridades, constando desde então como foragido. O seu paradeiro passou a ser alvo de investigação, até ser localizado agora na capital catarinense.

O atropelamento coletivo teve a sua repercussão ampliada pela reprodução da cena em emissoras de televisão e sites na internet. Neis, que então trabalhava no Banco Central de Porto Alegre, conduzia o seu carro Golf pela rua José do Patrocínio, tendo o filho como carona, quando deparou com um bloqueio de trânsito por cerca de 150 ciclistas que participavam de protesto do grupo Massa Crítica.

Irritado com o bloqueio, ele acelerou o carro sobre o grupo, atingindo quase 30 pessoas, das quais 15 ficaram feridas e oito precisaram de atendimento no HPS (Hospital de Pronto Socorro), sem ferimentos graves. O bancário fugiu sem prestar socorro e, horas depois, o seu automóvel foi encontrado na Zona Leste.

Neis se apresentou à Delegacia de Crimes de Trânsito em 28 de fevereiro, três dias depois do incidente, alegando que não tivera a intenção de atropelar os ciclistas e que agira de forma intempestiva por ter se assustado com os manifestantes ao ter o seu veículo supostamente atingido por socos e pontapés – fato negado pelas vítimas, segundo as quais o evento era pacífico.

A tese de legítima defesa, apresentada por seu advogado, foi classificada pela Polícia Civil como contraditória e”fantasiosa”. O MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) pediu então a prisão preventiva do investigado, por múltipla tentativa de homicídio doloso duplamente qualificado (motivo fútil e redução da chance de defesa das vítimas, dentre outros agravantes). Já pesava contra ele, ainda, um histórico violento que incluía ameaças, agressão física e diversas infrações de trânsito.

Processo

Em 2 de março, menos de 24 horas após ter a sua prisão preventiva decretada, Neis se internou no Hospital Parque Belém, alegando problemas psicológicos. No dia seguinte, o MP pediu a transferência do réu para Presídio Central de Porto Alegre (atual Cadeia Pública), o que ocorreu uma semana depois.

Mas no dia 7 de abril, a 3ª Câmara Criminal do TJ (Tribunal de Justiça) gaúcho concedeu habeas corpus ao atropelador, sob o argumento de um desembargador sobre a falta de indícios de que Neis ameaçaria testemunhas ou destruísse provas. Ele permaneceria em liberdade provisória por mais de cinco anos.

Em 23 de novembro de 2016, o bancário foi submetido a julgamento popular que resultou em o condenou a 12 anos e nove meses de prisão por 11 tentativas de homicídio e cinco lesões corporais. A sentença foi confirmada na segunda instância, em 2018, pela 3ª Câmara Criminal, que no entanto negou o pedido do MP para que o atropelador passasse a cumprir pena imediatamente.

Um novo pedido de prisão foi encaminhado em agosto do ano passado, após Ricardo Neis ser flagrado na rodovia federal BR-101 dirigindo um carro, apesar de sua carteira de motorista estar suspensa desde o início do processo, em 2011.

Em outubro, foi a vez de um novo mandado de prisão, após o STJ ordenar a execução provisória de sentença, mas Neis saiu do “radar” das autoridades, permancendo foragido até ser encontrado pelos investigadores nesta quarta-feira, na Lagoa da Conceição, um dos pontos mais conhecidos da capital catarinense, a cerca de 470 quilômetros de Porto Alegre.

De acordo com informações da Polícia Civil, o ex-bancário está sendo custodiado até o Deic gaúcho, em Porto Alegre, a fim de que seja cumprida a burocracia jurídica. Depois disso, ele será encaminhado ao sistema penitenciário, passando a cumprir a sentença.

(Marcello Campos)

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