A tentativa de ocultar dinheiro e 16 barras de ouro levou o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro à prisão

FONTE: O SUL – http://www.osul.com.br/

A prisão temporária do presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, realizada nesta quinta-feira (05) no Rio de Janeiro, teve como um dos motivos a tentativa de ocultar bens, entre eles, valores em espécie e 16 quilos de ouro que estariam em um cofre na Suíça, segundo o MPF (Ministério Público Federal).

De acordo com os investigadores da força-tarefa da Lava-Jato no Rio, as apreensões na primeira etapa da Operação Unfair Play, em 5 de setembro, levaram Nuzman a fazer uma retificação na declaração do Imposto de Renda. Segundo o MPF, foi uma tentativa de regularizar os bens não declarados.

Um dos objetos apreendidos foi uma chave, que estava guardada junto a cartões de agentes de serviços de locação na Suíça. Conforme o MPF, são indícios de que Nuzman guardou lá o ouro. De acordo com o texto do documento de pedido de prisão, “ao fazer a retificação da declaração de Imposto de Renda para incluir esses bens, em 20/09/2017, [Nuzman] claramente atuou para obstruir investigação da ocultação de patrimônio e sequer apontou a origem desse patrimônio, o que indica a ilicitude de sua origem”.

Com as inclusões destes bens, os investigadores acreditam que os rendimentos declarados são insuficientes para justificar a variação patrimonial em 2014. A omissão, segundo o MPF, seria de no mínimo R$ 1,87 milhão. Ainda de acordo com o MPF, nos últimos dez dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman ampliou seu patrimônio em 457%, não havendo indicação clara de seus rendimentos. Um relatório incluído no pedido de prisão diz ainda que, em 2014, o patrimônio dobrou, com um acréscimo de R$ 4.276.057,33.

“Chama a atenção o fato de que desse valor, R$ 3.851.490,00 são decorrentes de ações de companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal”, diz o texto. O advogado Nélio Machado, que representa Nuzman, questionou a prisão desta terça: “É uma medida dura e não é usual dentro do devido processo legal”.

Além de Nuzman, foi preso na operação “Unfair Play” seu braço-direito, Leonardo Gryner, diretor de marketing do COB e de comunicação e marketing do Comitê Rio 2016. Segundo o MPF, as prisões foram necessárias como “garantia de ordem pública” para permitir bloquear o patrimônio, além de “impedir que ambos continuem atuando, seja criminosamente, seja na interferência” das provas.

O MPF reforça ainda que, apesar dos indícios de corrupção, não houve movimentação no sentido de afastar Nuzman e Gryner de suas funções junto ao COB. “Assim, ambos continuam gerindo os contratos firmados pelo COB, mediante uso de dinheiro público além do pleno acesso a documentos e informações necessárias à produção probatória”, afirmou o órgão.

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