“A vacina é do Brasil, não é de nenhum governador”, diz Bolsonaro

A primeira manifestação pública do presidente Jair Bolsonaro após a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de aprovar o uso emergencial das vacinas CoronaVac e de Oxford contra a Covid-19 no Brasil, foi afirmando, nesta segunda-feira (18), que o imunizante “é do Brasil, não é de nenhum governador, não.”

A fala faz referência à CoronaVac, imunizante produzido pelo Instituto Butantã em parceria com a empresa chinesa Sinovac. O governador de São Paulo, João Doria, adversário político de Bolsonaro, trabalhou ativamente, nos últimos meses, pela autorização do imunizante.

“Então, tá liberada a aplicação no Brasil. E a vacina é do Brasil, não é de nenhum governador, não”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada.

Já Bolsonaro questionou diversas vezes a origem chinesa da vacina, colocou em dúvida sua segurança e até comemorou a interrupção dos testes nas redes sociais.

Apesar das rusgas, o Ministério da Saúde autorizou o início da imunização a partir desta segunda e começou a enviar as doses para os Estados.

“A Anvisa aprovou, não tem o que discutir mais. Havendo disponibilidade no mercado, a gente vai comprar e vai atrás de contratos que fizemos que era para ter chegado aqui”, disse Bolsonaro sem detalhar as vacinas. A divulgação da conversa foi feita por um canal de apoio ao governo no YouTube.

O início da vacinação em São Paulo, ainda no domingo (17), logo após a aprovação da Anvisa, foi visto como um “golpe de marketing” de Doria, e uma derrota política para Bolsonaro.

Estava planejado para terça-feira (19) pelo Ministério da Saúde um evento no Palácio do Planalto que marcaria o início da campanha de imunização no País, a começar na quarta-feira (20), como chegou a ser divulgado várias vezes pelo ministro Eduardo Pazuello. A ideia era mostrar o trabalho do governo federal no enfrentamento à pandemia, e manter a ideia de que a vacinação iria começar de forma simultânea em todo o território nacional.

Só que Doria se antecipou e vacinou a primeira pessoa no País ainda no domingo. A escolhida, uma mulher, negra, enfermeira em um hospital público de São Paulo, também foi mais um símbolo da disputa política.

Além da disputa pela CoronaVac, o governo federal, apostava na vacina produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em parceria com a Universidade de Oxford. Porém a iniciativa acabou frustrada pela Índia, de onde viria o primeiro lote de 2 milhões de doses do imunizante. O país decidiu atrasar o envio até certificar-se da capacidade de atendimento da demanda interna.

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