“Acordos políticos” dificultam avanço do pacote de privatizações, afirma o ministro da Economia

Corrupção nas estatais deveria ter deixado “claro” que há “governança equivocada”, diz o ministro. (Foto: Alan Santos/PR)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a reclamar na segunda-feira (26) das dificuldades encontradas para avançar o programa de privatização de empresas estatais. Segundo Guedes, há “acordos políticos” que dificultam a implementação da política econômica do governo.

“Não conseguirmos, por exemplo, privatizar as empresas. Há acordos políticos que dificultam. Se houve ‘petrolão’ na Petrobras, mensalão nos Correios e escândalo na Caixa, devia estar bastante claro para a população brasileira que a governança está equivocada”, declarou.

“De alguma forma, essa nossa dificuldade de criar um caminho de prosperidade em um país rico em recursos naturais está ligada a essa nossa prisão cognitiva. Somos prisioneiros cognitivos de uma visão de mundo que está, hoje, obsoleta”, afirmou Guedes durante evento da ABDConst (Academia Brasileira de Direito Constitucional).

Apesar das críticas aos “acordos políticos”, Guedes optou por elogiar o Legislativo e o Judiciário. No discurso, o ministro não indicou quem seriam os responsáveis pelos supostos acordos que atrasam as privatizações.

“O Congresso é reformista e tem apoiado, o presidente é determinado, é um homem determinado, busca o melhor para o Brasil. O Supremo tem nos ajudado muito nessa direção de sancionar as reformas. Eu só posso dizer que confio nesses atos, e todos nós estamos juntos transformando a economia brasileira, transformando a sociedade brasileira em busca de um caminho de prosperidade”, disse.

Em entrevistas ao longo do ano, Guedes afirmou que fazer quatro grandes privatizações ainda em 2020: Eletrobras, Correios, Porto de Santos e Pré-Sal Petróleo S.A. Faltando dois meses para o fim do ano, nenhum desses anúncios foi concretizado.

Segundo o ministro, as privatizações seriam uma estratégia para melhorar as contas públicas e o perfil da dívida pública. Esses dois indicadores pioraram por conta dos gastos extraordinários com a pandemia do novo coronavírus.

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