Acusado de abuso sexual e assédio moral, ex-treinador da seleção brasileira de ginástica é banido do esporte

Por Gabriella Rocha*
O ex-treinador é alvo de 40 denuncias de ex-alunos e atletas.(Foto: Divulgação/CBG)

O ex-treinador da seleção brasileira masculina de ginástica artística, Fernando de Carvalho Lopes, foi banido do esporte pelos crimes de abuso sexual e assédio moral contra seus alunos e atletas. Os processos contra o ex-técnico tramitam na justiça desde 2016, quando ele foi denunciado por crianças e adolescentes pelo ato. O Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) condenou Fernando no domingo (31), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, em Aracaju (SE). A pena de banimento foi decidida por unanimidade pelo tribunal, que se baseou no Código de Conduta e Estatutos da Federação Internacional de Ginástica.

Fernando também poderá responder pelos atos na vara cível ou criminal. Segundo o Artigo 216-A, “Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” pode gerar pena de um a dois anos de detenção. Já crimes envolvendo abuso, violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes se enquadram como corrupção de menores, de acordo com o artigo 218, e atentado violento ao pudor, como consta no artigo 214, são considerados crimes hediondos, cujas penas merecem maior reprovação por parte do Estado, além de não disporem do direito a fiança, indulto ou diminuição de pena por bom comportamento.

Entenda o caso
Fernando de Carvalho Lopes foi denunciado por 40 atletas com quem trabalhou entre os anos de 1999 e 2016, no Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), em São Bernardo do Campo. O processo foi aberto, em sigilo, em junho de 2016. No dia 29 de abril de 2018, uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, trouxe depoimentos de vítimas e testemunhas, tornando o caso público. Desde então, o Conselho Tutelar de São Bernardo proibiu que Fernando trabalhasse com crianças ou adolescentes. O processo, que estava em andamento desde 2016, também pedia a cassação do registro dele no Conselho Regional de Educação Física e o banimento do esporte.

*Estagiária sob supervisão de Marjana Vargas

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