Alta de impostos foi discreta e pode não ter o efeito esperado, dizem analistas

A elevação de impostos anunciada pelo governo na quarta-feira (29) para tentar cobrir o buraco de R$ 58,2 bilhões no Orçamento foi discreta e pode não gerar o efeito esperado na arrecadação federal, acreditam especialistas.

Além da reoneração da folha de pagamentos da maior parte dos setores hoje beneficiados por um pacote do governo Dilma de 2011, o governo anunciou um bloqueio de R$ 42,1 bilhões em gastos públicos que vai reduzir a verba de ministérios e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O especialista em contas públicas Amir Khair considera que o corte não resolve o problema fiscal e pode gerar um efeito coleteral negativo para a atividade econômica, capaz de reduzir a arrecadação federal. “Para segurar as despesas, o governo está tomando uma surra da receita”, avalia.

Segundo Khair, o esforço de contingenciamento do governo pode não gerar o efeito esperado para cumprir a meta de déficit fiscal de 2017, de R$ 139 bilhões. “O grande problema do déficit público no Brasil não é o gasto. São os juros altos, seguidos da perda de arrecadação, e isto não está sendo atacado na medida necessária”, diz.

Por outro lado, Khair aponta que o fim da desoneração para vários setores pode criar um efeito positivo para a arrecadação da Previdência Social, que fechou 2016 com um rombo de quase R$ 150 bilhões.

A desoneração da folha de pagamento representou uma renúncia fiscal de R$ 77,9 bilhões de 2012 a 2016, segundo dados da Receita Federal. Atualmente, cerca de 40 mil empresas de mais de 50 setores da economia se beneficiam do programa.

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