Ao tomar posse como novo diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro disse que a Operação Lava-Jato “continua forte” e prometeu reforços

O novo diretor-geral da PF (Polícia Federal), Rogério Galloro, tomou posse, na manhã desta sexta-feira (02), em uma cerimônia no Ministério da Justiça, em Brasília. Galloro, que até então era o secretário nacional de Segurança Pública, assumiu o posto no lugar de Fernando Segovia, demitido após desgaste no governo provocado por declarações que causaram polêmica.

A substituição de Segovia, que permaneceu por pouco mais de três meses no cargo, foi uma das primeiras medidas tomadas pelo ministro Raul Jungmann na recém-criada pasta da Segurança Pública, à qual a PF passou a ser subordinada.

Em seu discurso, o novo diretor-geral disse que a Operação Lava-Jato “continua forte”. “Estive presente em momentos difíceis e em momentos de conquistas: nas indicações de chefias, nas decisões estratégicas do Conselho Superior de Polícia e também na Operação Lava-Jato, inclusive na criação da Coordenação Geral de Combate à Corrupção”, afirmou. “Por essa razão, não faria sentido adotar agora postura diversa da que tenho seguido. A Lava-Jato continua forte e desde já reafirmo o compromisso do ministro Jungmann de reforçar a equipe”, completou.

Galloro já escolheu os delegados que atuarão nos cargos de confiança da cúpula da instituição. Os nomes são ligados a Leandro Daiello, ex-diretor-geral da PF, com quem Galloro trabalhou diretamente, como diretor-executivo da corporação. As escolhas precisam do aval de Jungmann. Dias após anunciar a troca no comando da PF, Jungmann declarou, em entrevista, que a Operação Lava-Jato seguirá como prioridade da PF.

Galloro é apontado dentro da corporação como um profissional cauteloso e discreto, investigador de perfil bastante diferente do seu antecessor. Ele ingressou na PF em 1995. O presidente da República, Michel Temer, não compareceu à solenidade. Além de Jungmann, estava presente na posse o ministro da Justiça, Torquato Jardim, entre outras autoridades.

Segovia

Durante a cerimônia, Segovia não polemizou em seu discurso de despedida do cargo. Ele agradeceu a Temer, Torquato e até mesmo a Jungmann. “Primeiramente, agradeço ao presidente Michel Temer, por ter me dado a honra de ter comandado a instituição da qual faço parte e tanto honro, que orgulho e valorizo. Será algo que levarei por toda minha vida essa experiência intensa e extraordinária. Gostaria de agradecer ao ministro Torquato Jardim, com quem, ao contrário do que a imprensa e algumas pessoas pensam, me dei muito bem. Agradeço também ao ministro Jungmann. Conheço desde que coordenei a campanha do desarmamento. Sua missão é um desafio árduo e penoso, mas o Brasil confia em sua competência”, declarou.

Ele ainda pregou a união dos policiais federais e desejou sucesso a Galloro. “Temos certeza de que continuamos cada vez mais fortes e independentes. A Operação Lava-Jato é um exemplo disso. Mas que em nada diminuiu as operações de combate ao tráfico, pedofilia e outros crimes”, disse Segovia. “Gostaria de citar o imperador Júlio César. Vim, vi e venci. Assim me sinto. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”, afirmou.

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