Após a denúncia de envolvimento de Cristiane Brasil com traficantes, o PTB discute a situação da deputada indicada para assumir o Ministério do Trabalho

A situação da deputada federal Cristiane Brasil será o principal tema da reunião da bancada do PTB na terça-feira (06). Durante o encontro, membros do partido deverão pressionar para que outro nome seja indicado para comandar o Ministério do Trabalho.

Nomeada pelo presidente Michel Temer para a pasta, Cristiane é alvo de um inquérito do MPF (Ministério Público Federal) que apura associação para o tráfico de drogas. O crime teria acontecido durante a campanha eleitoral de 2010. As investigações também envolvem o deputado estadual do Rio de Janeiro Marcus Vinicius (PTB), ex-cunhado da parlamentar, e outros três assessores dela na época.

Todos são acusados de ter dado dinheiro a traficantes do bairro Cavalcanti, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que é uma das bases eleitorais da deputada. Por contar com foro privilegiado, a parlamentar será investigada pela Procuradoria-Geral da República, em Brasília.

O inquérito aumentou a insatisfação dentro do PTB sobre a indicação da deputada para a pasta. Anunciada como ministra em 3 de janeiro, Cristiane foi impedida de tomar posse por uma liminar da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ) em 8 de janeiro. Na sua decisão, o juiz Leonardo da Costa Couceiro acolheu argumentos de três advogados que questionaram em ação popular se a deputada estaria moralmente apta a assumir o cargo.

O magistrado suspendeu a posse após a imprensa revelar que ela foi condenada na Justiça do Trabalho a pagar mais de R$ 60 mil a um ex-motorista por conta de irregularidades trabalhistas. Contra a liminar, a AGU (Advocacia-Geral da União) e a defesa da parlamentar apresentaram agravos de instrumento. No entanto, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou provisoriamente os pedidos do governo federal e de Cristiane.

A posse da deputada foi autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal). A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, voltou a impedir que a filha de Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, assuma a pasta.

Roberto Jefferson

Em sua conta no Twitter, o delator do mensalão questionou a investigação do MPF por suspeita de associação para o tráfico de drogas. “Por que destruir a vida política promissora de uma pessoa dedicada em tudo que faz e que está preparada para exercer o cargo de ministra?”.

Jefferson afirmou que não desistirá da nomeação da sua filha e que ela não “vai sair de bandida” após a divulgação de que é investigada por suspeita de associação para o tráfico de drogas. “Não vamos desistir da indicação, tem que levar até o fim a votação no Supremo Tribunal Federal. Minha filha não vai sair de bandida”, afirmou. “É uma acusação leviana”, disse o presidente do PTB. Segundo ele, há “ódio e perseguição” contra Cristiane.

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