Após ser o epicentro da Covid-19, Itália retoma as atividades gradualmente

A Itália, o primeiro país a confinar toda sua população para conter o avanço do novo coronavírus, iniciou nesta segunda-feira (04), uma abertura gradual da nação, que continua dependendo da evolução da pandemia para seguir em vigor.

Agora, os italianos podem sair de casa para caminhar, correr ou andar de bicicleta. Também está permitido visitar parentes desde que eles morem na mesma região e os funerais podem receber até 15 pessoas.

“É a hora da responsabilidade”, afirma em editorial o jornal Corriere della Sera, ao recordar o desafio de 60 milhões de italianos após quase dois meses de confinamento. “O futuro do país está em nossas mãos”, reitera o jornal, assim como explicou o primeiro-ministro Giuseppe Conte ao anunciar as novas medidas.

A ambivalência resume o estado de ânimo de um país que oscila entre o alívio e a ansiedade, sufocado por um longo isolamento, abalado por economia em forte contração e traumatizado pela morte de quase 30 mil pessoas, um balanço oficial provavelmente inferior à realidade.

Quase 4,4 milhões de trabalhadores que não podem atuar em ‘home office’ devem retornar às obras, lojas, fábricas e escritórios, mas com a obrigação de respeitar a distância, inclusive nos transportes públicos, que devem funcionar com capacidade reduzida. O uso de máscara é obrigatório.

Os aeroportos menores da Toscana e de Roma foram autorizados a abrir as portas, uma espécie de teste geral para organizar os controles, mas Ciampino, nas proximidades da capital, estava vazio durante a manhã.

O país, no entanto, não retomará as aulas de 8,5 milhões de estudantes, ao que parece até setembro, nem autorizará piqueniques aos fins de semana na praia. Museus, comércios varejistas e bibliotecas só devem retomar as atividades em 18 de maio. Missas e espetáculos artísticos permanecem proibidos. Bares e restaurantes só podem vender comida para o cliente retirar e levar. Os certificados de deslocamento continuam obrigatórios.

Quase dois meses depois do início do confinamento, analistas preveem que a terceira maior economia da União Europeia deve sofrer uma recessão de entre 8 a 10%. Milhões de postos de trabalho estão em perigo e a dívida pública provavelmente deve superar 155% do PIB (Produto Interno Bruto).

Comentários