Após sete meses, economistas voltam a estimar inflação brasileira acima de 3% em 2020

Projeção de retração da economia neste ano permaneceu em 4,81% na semana passada. (Foto: Reprodução)

Os analistas do mercado financeiro elevaram, pela décima segunda semana seguida, sua estimativa de inflação para este ano e, pela primeira vez desde março, passaram a prever um IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) maior que 3% em 2020.

A expectativa faz parte do boletim de mercado, conhecido como relatório Focus, divulgado nesta terça-feira (03) pelo BC (Banco Central). Segundo a pesquisa realizada pelo Banco Central, os analistas dos bancos subiram a estimativa de inflação deste ano de 2,99% para 3,02%. Desde 23 de março deste ano a previsão dos analistas dos bancos para o IPCA, a inflação oficial, não ficava acima de 3%.

A redução na estimativa de inflação, no decorrer de 2020, está relacionada com a recessão na economia, fruto da pandemia do novo coronavírus. No início de junho, o mercado chegou a estimar que a inflação seria de 1,52% em 2020 – a metade da previsão atual, de pouco mais de 3%.

Nos últimos meses, porém, com a alta do dólar e com a retomada da economia, os preços voltaram a subir. Em setembro, a inflação oficial do País avançou 0,64%, a maior alta para esse período desde 2003. Na prévia de outubro, o IPCA avançou para 0,94%, a maior taxa para o mês em 25 anos.

Apesar da alta, a expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020. Pela regra vigente, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, considerado a inflação oficial do País, pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic). Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,10% para 3,11% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Crescimento da economia

Sobre o crescimento da economia brasileira, os economistas do mercado financeiro mantiveram sua previsão de tombo do PIB (Produto Interno Bruto) estável em 4,81% na semana passada.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País e serve para medir a evolução da economia. Na última semana, o mercado também baixou, de 3,42% para 3,34%, a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto para 2021.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão. Nos últimos meses, porém, indicadores têm mostrado uma retomada da economia brasileira.

Taxa básica de juros

Após a manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano no fim de outubro, o mercado segue prevendo estabilidade na Selic neste patamar até o fim deste ano. Para o fim de 2021, a expectativa do mercado ficou estável em 2,75% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem.

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