Áreas de riscos de Porto Alegre serão tema de estudo do Banco Mundial

Uma comitiva do Banco Mundial está em visita a Porto Alegre para iniciar a primeira etapa do processo de configuração de um trabalho de assistência técnica colaborativo, entre a prefeitura e o Banco, com o objetivo de desenvolver uma pesquisa sobre o impacto social com gestão das áreas de riscos de desastres naturais e inundações. A iniciativa pretende, com o estudo, compreender as vulnerabilidades sociais frente aos perigos naturais da cidade, com foco específico em duas regiões: Ilhas e Humaitá-Navegantes.

Na tarde dessa quinta-feira (8), representantes e especialistas do projeto internacional de resiliência do Banco Mundial estiveram reunidos com o vice-prefeito e secretário das SMRI (Relações Institucionais e Articulação Política), Gustavo Paim, no Ceic (Centro Integrado de Comando) da Prefeitura de Porto Alegre.

Após a definição de critérios e prioridades junto ao poder público, a equipe do Banco Mundial poderá então prestar consultoria para a prefeitura desenvolver o Plano Estratégico de Resiliência Urbana para a cidade. De acordo com a consultora da instituição Pauline Cazaubon, a ideia é identificar, com a ajuda das comunidades locais, as áreas reais de risco e as deficiências na infraestrutura urbana, com foco na vulnerabilidade social das regiões escolhidas.

“Temos uma expectativa muito grande de fazer um trabalho que sirva para a municipalidade e, principalmente, para as pessoas que moram nessas áreas de risco. Estamos muito interessados nos processos do Orçamento Participativo e da civilização comunitária. Vamos trabalhar juntos para sensibilizar a população. Ao promovermos o mapeamento e futuro gerenciamento das áreas de risco de desastres naturais, posteriormente, este estudo servirá de fomento e incentivo à execução de novas políticas públicas para Porto Alegre”, salientou Pauline.

“Neste projeto intitulado “Convivendo com as Inundações”, queremos entender os problemas vividos pela população para saber o que realmente é possível fazer para melhorar o sistema de gestão das áreas de risco na cidade. É necessário conhecer como as pessoas reagem frente a determinados processos que possam agravar os riscos iminentes de inundação. O foco da nossa pesquisa é social. Vamos estudar a proporção de pessoas atingidas, o impacto na renda e na educação delas”, garantiu a consultora.

O Banco Mundial irá realizar diversas rodas de conversas com os moradores das regiões escolhidas para o mapeamento, com a proposta de fazer um levantamento domiciliar que começará em julho e agosto de 2017. “Somente após a concretização da pesquisa que nossos agentes poderão trabalhar a gestão territorial baseada em uma convergência técnica, comunitária e jurídica das áreas afetadas. A nossa intenção é ter, após a conclusão do estudo, a oportunidade de integrar a prefeitura com as comunidades para apresentar as recomendações e propostas a serem discutidas pelo poder público, com o intuito de melhorar as áreas de riscos e a qualidade de vida das pessoas”, finalizou Pauline.

Cooperação

Para Paim, a cooperação técnica será muito importante no desenvolvimento e execução desta pesquisa. “Precisamos da parceria do Banco para tentar melhorar a vida dos porto-alegrenses. Nós temos dificuldades estruturais e topográficas na cidade. Precisamos saber o que é possível ser feito em termos de legislação. Quais são as atividades econômicas que podem ser desenvolvidas nestas regiões? Sabemos que o leito natural do Guaíba gera dificuldades históricas. O Executivo irá sempre incentivar a inclusão social e o aprimoramento de atividades que gerem novos atrativos turísticos para nossa Capital”, reiterou Paim, agradecendo a assistência da instituição em buscar novas ferramentas de pesquisa.

Também participaram do encontro a secretária de Desenvolvimento Social, Maria de Fátima Paludo Záchia; o secretário adjunto de Relações Institucionais, Carlos Siegle; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ricardo Gomes; a coordenadora do escritório de Resiliência da prefeitura, Clarisse Abrahão; o gerente de Relações Internacionais, Rodrigo Corradi; o gerente de Resiliência David Monteiro, e as coordenadoras dos Programas Todos Somos Porto Alegre e Rede de Sustentabilidade e Cidadania, Denise Souza Costa e Vânia Gonçalves de Souza, respectivamente, além de representantes da Defesa Civil, da Secretaria de Serviços Urbanos, da Fundação de Assistência Social e Cidadania.

Banco Mundial

A parceria com o Banco Mundial surgiu a partir de uma plataforma de serviços, após o lançamento do projeto da Fundação Rockfeller de Nova York, nos Estados Unidos, que criou o Desafio 100 Cidades Resilientes e escolheu a capital gaúcha para integrar a rede de sustentabilidade e resiliência mundial. Porto Alegre tem agora a missão de criar a primeira estratégia de resiliência da América Latina, estabelecendo planos de contingência com as comunidades, por meio do uso de aplicativos de georeferenciamento.

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