As obras da Sala de Concertos da Ospa estão na sua fase final

Desde a sua fundação em 1950, a Ospa (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) leva a parques, igrejas, auditórios, ginásios e teatros de todo o Estado apresentações que contemplam as mais diversas épocas da História da Música, e que emocionam todos os públicos. Perto de completar seus 70 anos de trajetória, a Ospa, agora, se prepara para ter, pela primeira vez, sua própria casa para desenvolver suas atividades – sem perder, é claro, seu caráter itinerante.

A Casa da Música da Ospa, que está sendo construída no CAFF (Centro Administrativo Fernando Ferrari), encerra um ciclo de busca por um local que abrigue tanto os ensaios quanto as apresentações da orquestra, com condições acústicas e de conforto adequadas aos instrumentistas e espectadores. “Poderemos, finalmente, investir em nossa identidade sonora, assim como fazem as grandes orquestras internacionais”, afirma o maestro Evandro Matté, diretor artístico da Ospa. A Fase 1 da construção, que contempla a sala de concertos principal, será inaugurada no dia 24 de março, sábado, com um grande concerto regido por Matté (a programação da Temporada 2018 será anunciada no dia 15 de março).

Para conseguir o valor necessário à finalização da sala, foi lançada, no ano passado, a campanha de financiamento coletivo “Faça parte desta História”, através da qual é possível fazer doações diretas para a construção da sala de concertos. Existem diversas opções de retribuições, que vão desde o nome do doador registrado no Painel de Doadores, que será colocado na entrada da Casa de Música da Ospa, até uma placa em uma das poltronas da Sala de Concertos e passaportes para a Temporada 2018.

A nova Casa da Música da Ospa no CAFF

A Casa da Música da Ospa se constituirá em um complexo musical com uma sala de concertos para 1.100 pessoas, além de camarins, café, salas de estudos, saguão, entre outros espaços. O governo do Estado, através da Secretaria da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos, cedeu a área de 2.500m² no CAFF para a Ospa fazer, no ano passado, a sua Sala de Ensaios – área que está se transformando nessa obra. Com o suporte da Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, do Ministério Público, da Fundação Pablo Komlós e a da sociedade civil, o projeto, feito pela AT Arquitetura, está se concretizando.

Tarso Carneiro, da AT Arquitetura, afirma: “O espaço em que a Sala está sendo construída foi concebido originalmente como um auditório, porém, foi utilizado como depósito por muitos anos. Nossa ideia foi aproveitar e valorizar a sua configuração, dando vida ao local”. O arquiteto relata que, entre as soluções encontradas nessa adaptação, está a colocação de mezaninos laterais que deixam a sala mais retangular, e de camarotes ao fundo da sala, que dão mais profundidade para a plateia. No teto, estão sendo colocadas placas acústicas em orientações variadas, que projetarão o som da forma mais adequada para a apreciação da música. A grande maioria das poltronas terá visibilidade de 100%.

A trajetória da Ospa pelos espaços de Porto Alegre

Há dez anos, a Ospa deixava o Teatro Leopoldina, local alugado, situado na Avenida Independência. Conhecido como o “Teatro da Ospa”, ele abrigou as atividades da sinfônica por 24 anos. Antes e depois disso, a orquestra contou com a parceria de diversos espaços para desenvolver as suas atividades.

As origens da Ospa estão diretamente ligadas à vida do maestro húngaro Pablo Komlós à Capital gaúcha. Ele foi convidado a dirigir algumas óperas em Porto Alegre em meados da década de 1945. Na época, as apresentações aconteciam no palco principal do Cine Teatro Coliseu. Mas a Ospa só passou a existir oficialmente em 1950 – o primeiro concerto foi no Theatro São Pedro.

Um tempo depois, a orquestra passou a ensaiar e a se apresentar no antigo prédio da PUC (Pontifícia Universidade Católica), que atualmente é o Colégio Rosário. Posteriormente encampada pelo governo estadual, a orquestra ainda passaria pelo antigo Auditório Araújo Vianna (então localizado na Praça Matriz) e pelo Salão de Atos da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – este último, local que segue recebendo os concertos da Ospa até os dias de hoje.

Depois de 2008, quando desocupou o Teatro Leopoldina, a Ospa passou por espaços como o Palácio Piratini, o Armazém A3 do Cais do Porto, o Salão da Paróquia São Pedro, a Sala Elis Regina da Usina do Gasômetro e, por fim, a Sala de Ensaios no CAFF, que está se tornando a Sala de Concertos da Ospa.

O projeto “Sala Sinfônica da Ospa”, que seria realizado no Parque da Harmonia, foi repactuado com o MinC e, agora, naquele local, será construído um teatro aberto para concertos, o museu da Ospa e um espaço para programas sociais de inclusão da Escola de Música da Ospa. As fundações que já estão ali serão aproveitadas.

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