Banco Central projeta inflação no limite da meta em 2016, mas piora previsão para o PIB

O BC (Banco Central) estimou um comportamento melhor da inflação em 2016 e 2017, retornando para o teto do sistema de metas, e que a economia brasileira terá um “encolhimento” maior neste ano e uma recuperação mais contida no próximo. As informações constam no relatório de inflação do quarto trimestre, divulgado nesta quinta-feira (22).

A previsão de inflação do BC para 2016 caiu de 7,3%, em setembro, para 6,5% – valor dentro dos limites do sistema de metas de inflação para este ano, que tem um teto justamente de 6,5%. Para 2017, o BC informou que projeta que o IPCA ficará ao redor da meta central entre 4,4% e 4,7%.

Para o PIB (Produto Interno Bruto), o BC estimou um tombo de 3,4% neste ano, com piora em relação à previsão anterior, feita em setembro, que era de um recuo de 3,3%. Se confirmado esse cenário, será a segunda retração seguida da economia brasileira, que já despencou 3,8% no ano passado – a maior queda em 25 anos. Dois anos seguidos de recuo do PIB não acontecem desde o início da série histórica do IBGE, em 1948.

Para 2017, também houve uma revisão da estimativa. Em setembro, a autoridade monetária esperava que o PIB crescesse 1,3% no próximo ano. Agora, prevê um crescimento mais moderado, de 0,8%, ainda acima da estimativa de alta de 0,58% do mercado financeiro.

De acordo com o BC, essa redução na projeção de crescimento para o próximo ano, é consistente com a “probabilidade maior de que a retomada da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada previamente”.

Juros

A queda nas previsões de inflação do Banco Central, com uma proximidade maior em relação à meta central de 4,5% do ano que vem, é um indicativo de que o BC pode acelerar o processo de corte dos juros básicos da economia, atualmente em 13,75% ao ano. A instituição já efetuou, neste ano, duas reduções de 0,25 ponto percentual.

As decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) da instituição, colegiado formado por diretores e presidente do BC, são “prospectivas”, ou seja, são tomadas olhando para as expectativas de inflação para os próximos meses e anos. Neste momento, o BC já olha o cenário de 2017 e de 2018 para tomar as próximas decisões sobre a taxa de juros (com meta central de 4,5% e teto de 6% para a inflação).

Comentários