Banco Central vê inflação ao consumidor subir no curto prazo e cita recuperação parcial da economia

Informações foram divulgadas na ata da reunião do Copom. (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

O Copom (Comitê de Política Monetária) informou nesta terça-feira (22), por meio da ata de sua última reunião, quando a taxa básica de juros da economia foi mantida estável em 2% ao ano, que a inflação ao consumidor deve se elevar no curto prazo.

“Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade. Os preços administrados [tarifas de água, esgoto e transporte público, por exemplo] devem apresentar variação contida, destacando-se o recuo nas tarifas de plano de saúde em setembro e a queda projetada para o preço da gasolina a partir de outubro”, avaliou o BC.

Em doze meses até agosto, o preço dos alimentos subiu 8,83%. Esse reajuste não tem apenas um alimento como responsável – a maioria está com preços recordes no campo.

De acordo com economistas, dois fatores explicam a alta dos alimentos: dólar alto, que incentiva os produtores a aumentarem as exportações; e o auxílio emergencial que é direcionado, em grande parte, para a população mais pobre do país, que tem uma cesta de compras formada, em sua maioria, por produtos básicos, como alimentos.

Nível de atividade

Os integrantes do Copom avaliaram ainda que “dados recentes” sugerem uma “recuperação parcial da atividade econômica”.

“Os programas governamentais de recomposição de renda têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e do investimento. Contudo, várias atividades do setor de serviços, sobretudo aquelas mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, permanecem bastante deprimidas”, acrescentou o Copom.

O documento diz, também, que a “pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e à necessária redução nos auxílios emergenciais a partir do final desse ano aumentam a incerteza sobre a velocidade de retomada da atividade econômica”.

“O Comitê ponderou que esta imprevisibilidade e os riscos associados à evolução da pandemia podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma retomada ainda mais gradual da economia”, concluiu o Banco Central.

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