Bolsonaro esvazia Casa Civil, e demissão de Onyx fica mais próxima, dizem aliados

Bolsonaro e Onyx em solenidade em outubro.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O esvaziamento das funções da Casa Civil, após anúncio desta quinta-feira (30) feito por Jair Bolsonaro, foi considerado por aliados do Palácio do Planalto como indicativo de que Onyx Lorenzoni (DEM) poderá deixar o governo em breve.

Após demitir pela imprensa o número dois da pasta, Vicente Santini, Bolsonaro anunciou a transferência do principal projeto da Casa Civil para a Economia, o PPI (Programa de Parceria de Investimentos). Com isso, o ministro Onyx, titular que está em férias, fica enfraquecido.

O poder de Onyx vem diminuindo. Em junho passado, perdeu a função de articulador político, atualmente na Secretaria de Governo, e a SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos), transferida para a Secretaria-Geral.

Desde o ano passado mudanças na equipe ministerial são estudadas por Bolsonaro, e o caso Santini teria sido a justificativa perfeita para a reformulação.

Santini teve sua demissão da secretaria-executiva anunciada por Bolsonaro na terça-feira (28), por ter usado um voo exclusivo da FAB (Força Aérea Brasileira) para voar de Davos, na Suíça, para Déli, na Índia. O presidente classificou o episódio como “inadmissível” e “imoral”.

Na quarta-feira (29), porém, Santini foi nomeado para outra função na Casa Civil, como assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo, com um salário de cerca de R$ 300 menor. Mas, nesta quinta-feira (30), o presidente disse que iria “tornar sem efeito” a admissão Santini para esse novo posto e também que Fernando Wandscheer de Moura Alves, que assinou a renomeação do assessor, deixará a secretaria-executiva da Casa Civil.

Com este cenário, Onyx deve antecipar o fim de suas férias.

Se confirmada a saída de Onyx, poderá assumir interinamente o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. A Casa Civil pode ainda retornar à SAJ (Subchefia para Assuntos Jurídicos), o que transferiria Jorge Oliveira da Secretaria-Geral para a pasta.

Bolsonaro pode ainda destacar Onyx para a articulação política no Congresso, onde ele é deputado, tendo um papel mais efetivo na articulação política no Poder Legislativo, que é criticada inclusive pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Outra mudança cogitada é na pasta da na Educação. No Palácio do Planalto, a troca do ministro Abraham Weintraub é dada como provável. O presidente, que já reclamou em entrevista à imprensa sobre a postura do ministro, ficou irritado com os problemas técnicos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Nos últimos dias, deputados aliados defenderam ao presidente a necessidade de se trocar o comando da pasta para evitar que a imagem do governo seja contaminada pelas polêmicas criadas por Weintraub.

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