Brasil não reconhece reeleição de Morales “neste momento”, diz Itamaraty


Evo Morales foi reeleito para o quarto mandato. (Foto: Reprodução/Twitter/Fotos Públicas)

O governo brasileiro não reconhece, pelo menos no momento, a reeleição do presidente da Bolívia, Evo Morales. Em um tuíte, o Ministério de Relações Exteriores defendeu, na sexta-feira, uma auditoria no primeiro turno do pleito. Segundo o resultado final, Morales ficou 10,56 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o ex-presidente Carlos Mesa — 0,56 a mais do necessário para a vitória no primeiro turno.

Além da margem estreita, a paralisação por algumas horas da chamada contagem rápida, uma espécie de apuração preliminar, gerou desconfiança entre os bolivianos, desencadeando protestos nas ruas.

“Considerando-se as tratativas em curso entre a @OEA_oficial e o governo da #Bolivia para uma auditoria completa do primeiro turno das eleições naquele país, o Brasil não reconhecerá, neste momento, qualquer anúncio de resultado final.”

A Bolívia vive manifestações diárias desde as eleições do último domingo, após uma controvérsia envolvendo o sistema de contagem rápida , um mecanismo que não substitui a contagem oficial e tem caráter informativo. Pouco depois do fechamento das urnas, o sistema apontava 83% das atas conferidas e sinalizava para um segundo turno entre Morales e Mesa . As atualizações, porém, não foram mais feitas até a manhã de segunda-feira , quando os números indicavam vitória de Morales já no primeiro turno.

No final, a apuração oficial, feita manualmente, apontou a vitória de Morales com 47,07% dos votos contra 36,51% de Mesa — um resultado que o candidato opositor não reconhece.

Surgiram questionamentos dentro e fora do país. O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, defendeu um segundo turno e que uma proclamação final ocorra apenas depois de uma auditoria que deverá ser realizada pela organização, um discurso que conta com o apoio de Brasil, Estados Unidos, Argentina e Colômbia.

A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia, María Eugenia Choque, por sua vez, se mostrou aberta nesta sexta a uma auditoria, mas não especificou se aceitava as condições da OEA.

“Podem fazer auditoria a OEA, a União Europeia. Estamos abertos a qualquer auditoria. (O sistema eleitoral boliviano) é transparente”, disse María Eugenia Choque, ao anunciar a contabilização de 100% dos votos.

Enquanto isso, milhares de pessoas foram às ruas em cidades em todo o país, exigindo a realização de um segundo turno. Em uma semana, 29 pessoas ficaram feridas e 57 foram detidas em protestos em diferentes pontos da Bolívia.

Em La Paz, várias ruas foram bloqueadas e manifestantes levavam cartazes e bandeiras bolivianas, sendo acompanhados por uma paralisação em alguns setores. O sistema de transportes da cidade foi afetado, e muitas lojas sequer abriram as portas. No começo da noite, uma multidão se reuniu diante do Tribunal Supremo Eleitoral. Atos semelhantes ocorreram em cidades como Cochabamba e Santa Cruz , principal bastião oposicionista, mas sem confrontos graves.

Morales rejeita as acusações e afirma que grande parte de sua vitória se deu pelo apoio das populações indígenas e campesinas, que desde sua primeira eleição, em 2005, votam majoritariamente com ele. O presidente atribuiu a reação a uma discriminação ao voto do campo.

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