Briga por gabinete entre os senadores acaba em guerra de liminares

A véspera da posse do Congresso foi marcada por decisões judiciais e disputa em torno de um gabinete. A situação fez com que os senadores e seus assessores varassem a madrugada na Casa, saindo apenas às 9h de sexta-feira (1º) – horas antes da posse no plenário. Isso porque o senador Álvaro Coronel (PSD-BA) se recusou a sair do gabinete que estava, mas que havia sido designado pelo então presidente do Senado, Eunicio Oliveira, como é de praxe, ao senador Iraja (PSD-TO).

Mas a sala foi parar nas mãos de Coronel, pelo seu ocupante anterior, senador Vicentinho Alves (PR-TO), desafeto de Iraja no Estado. Desde a última semana, o filho de Kátia Abreu se instalou no gabinete da mãe, à espera de uma solução pela Casa.

Mas na quinta-feira, perto das 18h, Coronel conseguiu uma liminar na primeira instância, derrubando a decisão de Eunicio e garantindo a permanência do parlamentar no gabinete. Iraja recorreu e a decisão do TRF-1 saiu por volta das 3h, já no dia da posse. Segundo pessoas que presenciaram a situação, o Coronel se recusou a deixar o gabinete.

O presidente em exercício, Davi Alcolumbre (DEM), propôs uma solução paliativa: que o senador baiano deixasse o gabinete e o lacrasse. Iraja disse que só deixaria o Congresso quando pudesse ocupar seu gabinete. Depois de muita conversa e até a participação da polícia legislativa, o Coronel deixou a sala, por volta das 9h. A situação complicou tanto que o senador tocantinense solicitou escolta de dois policiais legislativos durante o primeiro dia dos trabalhos.

Cara nova no Senado

Eleitos sob o mantra da renovação (85% dos 54 senadores dessa legislatura são novatos) o Senado que tomou posse na última sexta-feira (1º) escolheu uma cara nova para presidir a casa, mas não deu sinais de que cessará o festival de gafes e o show de horrores que há tempos caracteriza a Câmara Alta nacional. Ao menos é essa a impressão que fica a se considerar o desempenho das duas primeiras sessões, marcadas por bate-boca, empurrões, votação inexplicavelmente duplicada e parlamentar dizendo que iria “dar uma mijadinha” sem perceber que era transmitido em cadeia nacional.

A votação para definir o presidente da 56ª legislatura do Senado Federal do Brasil estava agendada para às 18h da última sexta-feira. Levando-se em conta que são 81 participantes, se cada um tivesse levado 3 minutos para votar, o processo deveria demorar cerca de quatro horas. Mas o país só conheceu o novo líder da casa mais de 24 horas depois. Nesse meio tempo, os senadores: abriram votação para decidir se a escolha do presidente do Senado seria por voto aberto (ou seja, cada senador declarando em quem votaria) ou fechado; chegaram à conclusão de que o voto seria aberto, por 50 votos a 2; discutiram por discordar da votação; adiaram a votação para o dia seguinte; recorreram ao STF, que definiu que a votação seria fechada; Ignoraram a definição do STF e declararam em quem votavam. Iniciaram a votação e ao contar, viram que havia 82 votos, sendo que há 81 senadores. Tiveram que votar novamente Viram um dos favoritos na disputa se irritar com o voto aberto e desistir de concorrer.

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