Caetano Veloso, Gilberto Gil, Drauzio Varela, Sônia Braga e mais 300 representantes das classes artística, intelectual e científica do Brasil assinaram um manifesto contra Jair Bolsonaro

Mais de 300 representantes das classes artística, intelectual e científica do Brasil assinaram um manifesto contrário à eleição do candidato Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto à Presidência. Os compositores Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil uniram forças com o médico Drauzio Varela, a cartunista Laerte, o publicitário Washington Olivetto e a consultora de moda Glória Kalil, por exemplo, para se posicionarem contra o que chamaram de “ameaça franca ao patrimônio civilizatório”. O texto “Democracia Sim” pede responsabilidade na escolha eleitoral.

Em risco a democracia

Na visão dos signatários, a vitória do deputado federal no pleito ao Palácio do Planalto colocaria em risco a democracia. O texto foi intitulado “Pela Democracia, pelo Brasil” e reúne representantes de diferentes áreas e posições partidárias, segundo os signatários, que pretendem ressaltar “o risco de candidaturas que flertam com o autoritarismo”. Parte dos artistas ainda combina manifestações nas ruas pela mesma bandeira e pela postura intolerante do político. Bolsonaro, que nega ser misógino e racista, está prestes a lançar um manifesto próprio de compromisso com a democracia e contra a fama de radical, diz o “Estado de S. Paulo”.

“É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”, diz o manifesto.

Também assinam o documento o rapper Mano Brown, o jurista Celso Lafer, o escritor Milton Hatoum, a atriz Sônia Braga, o jornalista Zeca Camargo, o músico Paulo Miklos e os cineastas Fernando Meirelles e Walter Salles. Aderiram ao movimento o ator Alexandre Nero, a atriz Camilla Pitanga, o pesquisador Carlos Nobre, o rapper Xis, o engenheiro florestal Tasso Azevedo e a museóloga Beth Pessoa, entre outros.

Os signatários alertam que “líderes fascistas, nazistas e diversos regimes autocráticos” da História foram eleitos originalmente, sob promessa de “resgatar a autoestima e a credibilidade” de nação. Em seguida, já no poder, submeteram as nações “aos mais variados desmandos autoritários”. O manifesto cita ainda a eleição dos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, que teriam sido escolhidos como “redentores da ética e da limpeza política para nos levar ao desastre”. Isso sem contar os “20 anos de sombras sob a ditadura, iniciados com o respaldo” de parte da sociedade civil nos anos 1960.

Na avaliação dos que aderiram ao manifesto, “é preciso ter clareza máxima da responsabilidade histórica das escolhas que fazemos” nos momentos de crise da democracia e da política. O texto elenca uma série de críticas a Bolsonaro, a seu vice da chapa, general Hamilton Mourão, e a seu guru econômico, Paulo Guedes.

“Quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático”, diz o manifesto, em referência a frases e propostas ligadas à campanha de Bolsonaro.

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