Campanha alerta para desassistência em saúde mental

Previsão é de que a depressão seja a doença mais incapacitante em todo o mundo até 2020 (Foto: Reprodução)

Com o alerta de que “Transtornos mentais roubam um pedaço da vida, a desassistência rouba o resto”, está sendo lançada pelo Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul) uma campanha para marcar o Dia Mundial da Saúde, nesta sexta-feira (7).

A campanha tem como objetivo alertar a população e todas as esferas de poder público sobre o descompasso entre o aumento do número de portadores de transtornos mentais e comportamentais no país e a estrutura de atendimento público oferecido para atender a população.

Para colocar o tema na ordem do dia, foi criado um site com informações sobre o cenário da saúde mental no país e no estado:  “Queremos primeiro reforçar o alerta de que se trata de um dos maiores flagelos de saúde pública na atualidade. E, na sequência, vamos cobrar que os setores responsáveis pela saúde ajam, criem serviços eficientes, salvem vidas. Muitas consequências, como suicídios, ou histórias de famílias destruídas, poderiam ser evitadas!”, destaca Roberta Grudtner, psiquiatra e diretora do Sindicato Médico.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde ), Ministério da Saúde e entidades e estudos de psiquiatria consultados pelo sindicato, na América Latina o Brasil tem a maior taxa de incidência de depressão – 10% da população vive com a doença, maior causa de suicídios no país – e de ansiedade – 9,3% da população.

O Brasil possui, de acordo com essas entidades, cerca de 8 milhões de dependentes químicos, pacientes que necessitam de tratamento e apoio para vencer a dependência e ter a chance de recuperar sua vida. Segundo o Lenad (Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos), 58% dos casos de internação foram pagos pelo próprio familiar, sendo que em 9% das ocorrências houve cobertura de algum tipo de convênio. O tratamento em hospitais públicos, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), foi citado por apenas 6,5% das famílias de usuários em reabilitação.

Enquanto a população brasileira aumentou em 40% entre 1989 e 2016, foram fechados quase 100 mil leitos psiquiátricos no país durante o mesmo período, e e 120 mil espalhados pelo território nacional, o total despencou para 25.097, afirma o sindicato.

O Simers aponta ainda outros dados que mostram que 350 milhões de pessoas no mundo, de todas as idades, sofrem de depressão ou ansiedade: 5% da população mundial, sendo que as mulheres são as mais afetadas.

Entre jovens de 15 a 29 anos a depressão seria a segunda maior causa de morte no mundo. Além disso a doença é a principal causa de morte por suicídio. Cerca de 800 mil pessoas por ano tiram a vida no mundo e 15% das mulheres grávidas que acabaram de dar à luz bebês sofrem de depressão. Até 2020, esta será a doença mais incapacitante em todo o mundo.

Outros dados contribuem ainda mais para o cenário: 8 milhões de brasileiros são dependentes químicos e 28 milhões de brasileiros têm algum familiar que é dependente químico. A estimativa é de que, para cada dependente químico, em média, quatro pessoas são afetadas.

O sindicato lembra que o número de CAPS no país, centro de atenção psicossocial que tem por finalidade o atendimento de pacientes com transtornos mentais severos e persistentes, em regime de tratamento intensivo, semi-intensivo e não intensivo, é de 2340. Destes, quase 50% (CAPS tipo I) não exige a contratação de psiquiatra. Logo, não conseguem garantir atendimento adequado necessário aos pacientes com transtornos mentais e comportamentais.

No Brasil, conforme os levantamentos realizados pela entidade, 3% da população brasileira sofrem com transtornos mentais graves e persistentes, 6% apresentam transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas e 12% dessas pessoas necessitam de algum atendimento, contínuo ou eventual.

Outro problema elencado é que a maioria das pessoas com algum transtorno mental não busca atendimento psiquiátrico, pelos mais diversos motivos: estigma, desconhecimento da doença, preconceito, falta de serviços adequados para atendimento psiquiátrico, e até medo.

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