Carros a diesel devem desaparecer em breve: a poluição gerada pelo motor já é o principal motivo para proibição em várias cidades do mundo

A partir de 2025, os veículos a diesel devem ser banidos de Paris (França), Madri (Espanha), Atenas (Grécia) e Cidade do México (México). Os prefeitos das quatro cidades assinaram um compromisso para banir a circulação de automóveis, utilitários, caminhões e ônibus com motores movidos por esse combustível.

Para a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, a iniciativa ajudará a diminuir os níveis de poluição do ar. “Esse é um grande problema, que requer ações ousadas. Convocamos as montadoras a unirem-se a nós”, afirmou. Os prefeitos querem que a frota a diesel seja substituída por veículos movidos a eletricidade, hidrogênio ou híbridos.

A capital francesa colocou em prática outras restrições aos veículos a diesel: já a partir de julho de 2017, caminhões e ônibus fabricados antes de 2006 não poderão entrar em zonas de grande circulação das 8h às 20h. O mesmo vale para automóveis produzidos antes de 2001.

Ao mesmo tempo, no Brasil, há a possibilidade de os carros de passeio a diesel serem liberados para venda, algo proibido há 40 anos. Existe até uma comissão dedicada exclusivamente à análise do tema no Senado, que elaborou um parecer aprovando a ideia.

Os membros da comissão precisam aprovar este relatório, mas a votação já sofreu dois adiamentos e não há sinais de que ocorra tão cedo. Diversas entidades ligadas ao ambientalismo são contra. Um manifesto liderado pela ONG Observatório do Clima, por exemplo, chama a proposta de “um atentado contra a democracia, o ambiente, a saúde e a economia.”

“Dieselgate”

Essa discussão ocorre em meio aos rastros do “Dieselgate”, o escândalo mundial da fraude da Volkswagen aos testes de emissão em motores diesel. Milhões de veículos carregam um dispositivo eletrônico que reconhece quando estão sendo submetido a testes de laboratório, o que ativa no motor e câmbio parâmetros mais leves que os aplicados no uso real. Com isso, eles alcançam os índices exigidos pela legislação apenas nos ensaios – no dia a dia, poluem mais.

O caso teve repercussão até no Brasil: a VW reconheceu que 17.057 picapes Amarok fabricadas na Argentina em 2011 e 2012 carregam o dispositivo. A fraude foi descoberta há cerca de um ano nos Estados Unidos, e a montadora revelou em novembro que não vai mais oferecer veículos a diesel naquele mercado.

Para o presidente da AproveDiesel, associação de fornecedores de autopeças e motores que apoia a liberação dos carros a diesel no Brasil, Vicente Pimenta, o “Dieselgate” levou a uma “demonização” do combustível. Ele alega que esses motores são modernos e, aliados à atual melhoria da qualidade do combustível vendido ao consumidor, poluem tanto quanto os veículos a gasolina.

Para o dirigente, deveria existir uma discussão mais ampla sobre o uso de combustíveis fósseis em geral nos meios de transporte, e não apenas sobre o diesel. “O óleo diesel se tornou um vilão das discussões ambientais, mas ainda há muitos mitos envolvendo esse combustível”, opina.

Segundo os cálculos da associação, um automóvel a diesel pode ser até 35% mais eficiente em consumo do que um similar a gasolina. “A liberação seria benéfica ao consumidor que roda muito, especialmente em casos profissionais, incluindo serviços como táxi e Uber, pela economia gerada com a redução de consumo.”

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