Casa de Apoio Madre Ana completa seis meses e acumula muitas histórias

Criado pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o local já recebeu 249 pacientes e familiares de todo o Brasil e do interior do Estado, desde sua inauguração, em maio último. Crédito: Nathan Carvalho

“Quando eu crescer, vou ser vaqueiro” – fala convictamente Allisson, menino de 12 anos, vindo de João Pessoa, na Paraíba, enquanto aguarda, há três meses, um transplante renal na Casa de Apoio Madre Ana. Fundada em maio de 2016, a residência, localizada no centro da capital gaúcha, antigamente abrigava um internato de freiras franciscanas. Hoje, com um novo propósito, serve de lar para familiares e pacientes que não possuem condições de se hospedar na região e estão em tratamento na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

A história de Allisson é uma, dentre tantas outras que já passaram pelo local e ainda vão passar. Acompanhado da mãe, deixou a cidade natal em busca de tratamento. Enquanto espera ser chamado para o transplante, mantem um tratamento conservador que faz com que ele não precise de diálise. Na Casa de Apoio, o menino chega a tomar 6 litros de água por dia e evita alimentos com alto teor de sódio, sendo acompanhado e orientado por uma equipe de profissionais da Santa Casa.

Mesmo que Allisson receba um rim nos próximos dias, o que depende de encontrarem um doador compatível, ele ainda permanecerá no local por, no mínimo, mais três meses para o acompanhamento ambulatorial pós-transplante. Em meio à infância, o garoto tenta levar uma rotina de brincadeiras e aprendizado com os outros hóspedes. Observando o pai de outra criança produzir vasos com papel de jornal, aprendeu em pouco mais de uma semana a arte artesanal, como se aquilo fosse algo natural e simples. Assim, entre os que lá estão, se estabelecem relações quase familiares.

O prédio da Casa de Apoio foi doado pelas Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã e iniciou as operações com a mobília e estrutura já existentes. Aos hóspedes, se oferece cinco refeições diárias, material de higiene, roupa de cama e banho. Em contrapartida, cada um é responsável pela higienização do seu quarto e roupas individuais. O local se mantem exclusivamente com doações da comunidade. Desde alimentos e produtos de higiene, até as contas de água, luz e manutenção predial são pagos com essas doações.

“Muitos de nossos pacientes não se encaixavam no perfil das casas de apoio existentes em Porto Alegre, fazendo com que eles dormissem na recepção da emergência, nos corredores e até no estacionamento do hospital. Além da questão de segurança, a falta de um local apropriado para o repouso poderia ser prejudicial para a recuperação ou andamento do tratamento que fazem”, comenta a Gestora da Casa de Apoio Madre Ana e Serviço Social, Adriane Barboza, sobre a iniciativa de se ter um espaço como suporte à Santa Casa.

De maio ao início de novembro de 2016, passaram pela instituição 249 pessoas, sendo 68% oriundos de outros Estados e 32% do interior do Rio Grande do Sul. Para 2017, a previsão é aumentar dos atuais 30 leitos para 60. Para tanto, a Casa de Apoio necessita ampliar a captação de recursos. “Muitas pessoas que pegaram boletos para contribuir espontaneamente na inauguração não mantiveram a regularidade do pagamento nos últimos meses”, afirma Adriane.

Atualmente, são necessários, em média, R$ 80 mil por mês para manter 30 hóspedes. Interessados em contribuir financeiramente, podem se informar pelo site www.santacasa.org.br/pt/institucional/responsabilidade-social. A Casa de Apoio também aguarda pela doação ou investimentos para adquirir os seguintes itens:

1. Cadeira de alimentação para bebê

2. Carrinho de bebê

3. Banheira de bebê

4. Bebê-conforto

5. Forno elétrico

6. Filtro de água (127 V)

7. Geladeira (127 V)

8. Máquina de lavar roupa (127 V)

9. Secadora de roupas

10. Aspirador de pó

11. Split 24.000 BTUs

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