Coaf aponta movimentação atípica na conta de David Miranda; deputado divulga nota de esclarecimento


De acordo com o deputado, valor é compatível com sua renda. (Foto: Facebook David Miranda)

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que foi enviado ao Ministério Público do Rio de Janeiro, indica uma movimentação atípica de R$ 2,5 milhões na conta bancária do deputado federal David Miranda, entre abril de 2018 e março de 2019. O relatório foi encaminhado dois dias após o site jornalístico The Intercept Brasil divulgar as mensagens de autoridades da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

A partir do relatório, o Ministério Público pediu à Justiça, no final de agosto, a quebra dos sigilos bancários de David Miranda e de quatro assessores parlamentares dele: Reginaldo da Silva, Camila Menezes, Nagela Dantas e Silvia Mundstock. Entretanto, o pedido foi negado, pois a 16ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro decidiu que o deputado e os assessores devem primeiramente ser ouvidos em juízo.

Em nota, David Miranda afirmou que a quantia é compatível com a renda de sua família. De acordo com o deputado, além do salário de parlamentar que recebe — R$ 33,7 mil –, ele é sócio do marido, Glenn Greenwald, que é cofundador da The Intercept Brasil. Como a empresa é uma ONG, o deputado informou que o salário anual de Glenn é informação pública e pode ser consultado.

Confira a nota do deputado na íntegra:

Há duas semanas, soube por meio de matéria jornalística que havia um procedimento aberto pelo MP-RJ que investigava minhas movimentações financeiras, procedimento que supostamente corria em segredo de justiça. No mesmo, consta movimentação de R$ 1,3 mi em minha conta bancária. Quando o MP se refere a movimentação financeira, soma entrada e saída em conta bancária — o que induz à percepção de que o dinheiro que passou pela conta foi o dobro do que realmente a conta movimentou.

Como eu disse anteriormente, o relatório enviado pelo COAF ao MP-RJ — dois dias depois que meu marido, o jornalista Glenn Greenwald, deu início à publicação da série de reportagens com revelações sobre a Lava Jato — mostra uma quantia totalmente compatível com a renda de nossa família. Desde o início da Vaza Jato, esperávamos este nível de retaliação e desinformação deliberada.

Para além da renda de parlamentar, possuo sociedade com meu marido em uma empresa com projetos importantes. O salário anual do Glenn — como co-fundador e jornalista investigativo do portal The Intercept e da Intercept Brasil — é informação pública, porque essas empresas são ONGs. Qualquer jornalista pode compará-lo com os valores reportados pelo COAF para constatar a compatibilidade óbvia. Além disso, seus projetos — dos quais participei como parceiro — incluem livros que figuram nas listas dos mais vendidos do mundo, filmes e palestras.

Sobre a tal gráfica citada na matéria, não faço ideia do que se trata, nunca rodei material em Mangaratiba. Sempre fiz meus materiais de divulgação na cidade do Rio e, poucas vezes, em Niterói.

Na semana passada, o juiz negou o pedido do MP-RJ para quebrar meu sigilo bancário, para que eu pudesse enviar os documentos que demonstram a origem dessa renda. Nossos advogados estão fazendo exatamente isso para cumprir a ordem do juiz. A única ilegalidade existente é a praticada por aqueles que vazam essas informações para prejudicar minha reputação como retaliação pelas reportagens do Intercept. Estou aguardando a citação da justiça para explicar detalhadamente meus rendimentos.

Em suas redes sociais oficiais, o deputado divulgou um vídeo com esclarecimentos. Confira:


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