Com medo da terceira onda, países europeus prolongam as restrições contra o coronavírus

Preocupados com o risco de um novo aumento na disseminação da covid-19, com a circulação de novas variantes do vírus, governos de vários países europeus anunciaram o prolongamento das medidas restritivas contra a doença e planejam adotar novas nos próximos dias, mesmo com redução da média de casos e mortes nas últimas semanas verificada na maior parte do continente.

O governo da Itália estenderá as restrições ao coronavírus, já em vigor, até depois da Páscoa, disse o ministro da Saúde nessa quarta-feira (24), ao mesmo tempo em planeja acelerar os esforços de vacinação para tentar combater a pandemia.

O país, um dos mais atingidos pela covid-19, viu seus casos diários caírem de um patamar de cerca de 40 mil em novembro para menos de 15 mil atualmente. Mas as autoridades temem que o afrouxamento das restrições possa levar a um aumento no número de infecções causadas por novas variantes altamente contagiosas.

“As condições epidemiológicas não nos permitem relaxar os freios”, disse o ministro da Saúde, Roberto Speranza, ao Parlamento, acrescentando que as variantes do vírus descobertas pela primeira vez no Reino Unido, África do Sul e Brasil estão cada vez mais sendo detectadas na Itália.

O governo introduziu uma série de restrições antes do Natal, algumas das quais deveriam expirar na próxima semana. Speranza também afirmou que um novo decreto seria emitido em breve e seria válido até 6 de abril, no final do feriado da Páscoa. Ele não deu mais detalhes, mas cinemas, teatros e academias certamente permanecerão fechados, enquanto o horário de funcionamento de bares e restaurantes continuará com restrições.

Procurando manter os novos casos sob controle, o novo gabinete do primeiro-ministro Mario Draghi estendeu, no início desta semana, a proibição de viagens não essenciais entre as 20 regiões do país.

Speranza disse que o governo também está procurando acelerar os esforços de vacinação. A Itália lançou sua campanha no final de dezembro e, até agora, administrou 3,7 milhões de vacinas, incluindo a segunda dose. Ao todo, o país recebeu 5,2 milhões de doses de vacinas de fabricantes, mas os atrasos no fornecimento, que também afetaram outros membros da União Europeia, dificultaram os esforços.

Mais restrições

As novas variantes da covid-19 também geram preocupação na Alemanha. Segundo a primeira ministra, Angela Merkel, o país deve proceder com cuidado para que uma nova quarentena nacional completa não seja necessária.

“Por causa das variantes, estamos entrando em uma nova fase da pandemia, da qual uma terceira onda pode emergir. Portanto, devemos proceder com sabedoria e cuidado para que uma terceira onda não exija um novo fechamento completo em toda a Alemanha”, disse Merkel em entrevista a um jornal alemão.

Assim como aconteceu no Reino Unido, as autoridades alemães estudam aplicar uma flexibilização escalonada das medidas restritivas contra a doença. No país, o ritmo de vacinação é lento. Até domingo (21), só pouco mais de 3,3 milhões de pessoas haviam recebido ao menos uma dose da vacina, o equivalente a 4% da população. A Alemanha já havia intensificado as restrições para conter o alastramento do coronavírus até 7 de março.

Já na Suécia, que manteve a maioria das escolas, restaurantes e empresas abertas durante a pandemia, o governo anunciou, nessa quarta, que reduziria o horário de funcionamento de todos os restaurantes, bares e cafés, além de restringir o número de pessoas permitidas nas lojas, em um esforço para afastar uma terceira onda da pandemia.

A proposta prevê que restaurantes e cafés fechem às 20h30 a partir de 1º de março. Isso se soma a uma proibição de vendas de álcool após as 20h, que já está em vigor. O número de pessoas permitidas em lojas e shoppings será ainda mais restrito.

“A situação na Suécia é séria, temos uma alta disseminação da infecção e está aumentando. Podemos evitar uma terceira onda se mantivermos distância”, disse o primeiro-ministro, Stefan Lofven, em entrevista coletiva.

As preocupações com uma possível terceira onda da pandemia têm aumentado na Suécia nas últimas semanas, à medida que o número de novas infecções cresceu, em direção contrária à tendência em países vizinhos, embora as mortes tenham diminuído significativamente.

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