Como Lula recebeu a notícia de que Sérgio Moro vai para o Ministério da Justiça

Em reunião com o ex-ministro Aloizio Mercadante na tarde de quinta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o fato do juiz federal Sérgio Moro ter aceitado o convite para ser ministro da Justiça foi bom tanto para o PT quando para o presidente eleito Jair Bolsonaro, que fez a proposta ao magistrado.

Conforme o Blog Politicando, do jornal O Globo, em conversa com advogados e com Mercadante em sua cela na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, no Paraná, Lula disse que o capitão reformado ganhou um ministro consagrado na sua base e ampliou seu apoio popular. Por outro lado, destacou que Moro deu munição aos petistas e à sua defesa, que defendem que o ex-presidente foi julgado até hoje por um juiz parcial. Os advogados pretendem dar entrada em um novo pedido de habeas corpus.

O conselho que Lula mandou ao partido, segundo o Blog Politicando, é explorar ao máximo o discurso de que ele é alvo de uma perseguição judicial com objetivos políticos evidentes. Na narrativa petista, a prisão de Lula em abril deste ano, e a nomeação de Moro para o ministério da Justiça feita por Bolsonaro são duas faces da mesma moeda.

Entretanto, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse no mesmo dia que Lula estava “indignado” com a nomeação de Moro para o cargo de Ministro da Justiça. “O presidente está indignado, ainda mais com a nomeação de seu algoz como Ministro da Justiça”, afirmou Gleisi.

Na avaliação de Gleisi, a nomeação apenas corrobora as denúncias feitas pelo PT desde a prisão de Lula, em abril deste ano. “O juiz que investigou, que o condenou, passa a ser o executor da pena, como ministro do próximo governo”, criticou. Segundo a senadora, o juiz federal ajudou a eleger Jair Bolsonaro no último domingo.

A defesa de Lula já prepara uma manifestação ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o ingresso de Moro na gestão de Jair Bolsonaro.

Os advogados vão lembrar que, na peça inicial apresentada ao organismo internacional em 2016, sustentaram que Moro poderia projetar uma carreira na seara da política.

Em um dos tópicos da petição de 2016, a defesa de Lula disse que o juiz era apontado como possível candidato a presidente e que respondia de forma dúbia sobre o assunto. Moro sempre negou intenção de ingressar na política.

“A formalização do ingresso do juiz Sérgio Moro na política e a revelação de conversas por ele mantidas durante a campanha presidencial com a cúpula da campanha do presidente eleito provam definitivamente o que sempre afirmamos em recursos apresentados aos tribunais brasileiros e também ao Comitê de Direitos Humanos da ONU: Lula foi processado, condenado e encarcerado sem que tenha cometido crime, com o claro objetivo de interditá-lo politicamente”, disse o advogado Cristiano Zanin Martins.

“É o lawfare [palavra inglesa que representa o uso indevido dos recursos jurídicos para fins de perseguição política] na sua essência, uma vez que Lula sofre uma intensa perseguição política por meio do abuso e do mau uso das leis e dos procedimentos jurídicos. A Defesa tomará as medidas cabíveis no plano nacional e internacional para reforçar o direito de Lula a um julgamento justo, imparcial e independente”, acrescentou.

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