Conselho do Ministério Público pune procuradora por postagens ofensivas a Bolsonaro nas redes sociais

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) decidiu, nesta terça-feira (25), punir uma procuradora da República que publicou em uma rede social imagens consideradas pelos conselheiros como ofensivas ao presidente Jair Bolsonaro.

Em maio do ano passado, a procuradora Paula Cristine Bellotti, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, reproduziu em seu perfil no Facebook uma montagem em que Bolsonaro aparecia caracterizado como a apresentadora Xuxa. Em outra postagem, uma charge mostrava o presidente lambendo o sapato do seu colega e aliado dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para a maioria do CNMP, a procuradora deixou de manter conduta ilibada e violou o decoro do cargo ao publicar as imagens, extrapolando sua liberdade de crítica e ofendendo a honra do presidente da República. Ela foi punida com uma pena de censura, o que a prejudica em processos de promoção e pode levar à suspensão em caso de reincidência.

“Isso aqui ultrapassou a ironia, ultrapassou o deboche”, disse o conselheiro Luciano Maia, primeiro a votar pela punição da procuradora, em referência às postagens. “Charge e sátira não é isso que está aqui, isso é uma agressão”, concordou em seguida o conselheiro Marcelo Weitzel.

Para o corregedor do CNMP, Rinaldo Reis, responsável pela abertura do processo administrativo disciplinar sobre o caso, a procuradora deveria ter tido “muito mais cautela em suas manifestações públicas”.

O relator do caso, conselheiro Silvio Amorim, foi o único a votar pela absolvição da procuradora, “diante de diversas circunstâncias de atenuantes”. Ele destacou que, além de apagar as publicações e retirar qualquer menção ao MP de seu perfil no Facebook, ela manifestou arrependimento pelo ocorrido.

Em sua defesa ao longo do processo, a procuradora havia sustentado que os posts representavam um “desabafo” e uma “crítica à condução do País, exercida nos limites da liberdade de expressão, sem que daí se extraia ofensa ao chefe da nação”.

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