Contas públicas registram rombo recorde em setembro e nos nove primeiros meses do ano

As contas do setor público consolidado, que inclui o governo federal, os Estados, os municípios e as empresas estatais, registraram um rombo recorde para o mês de setembro e também para o acumulado dos nove primeiros meses deste ano, informou nesta segunda-feira (31) o BC (Banco Central).

Somente no mês passado foi registrado um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar os gastos com pagamento de juros da dívida pública) de R$ 26,64 bilhões. Até então, o pior resultado para setembro havia ocorrido em 2014, com um rombo fiscal de R$ 25,49 bilhões. No acumulado do ano, o déficit chegou a R$ 85,5 bilhões.

O fraco desempenho das contas públicas acontece em meio à forte recessão da economia brasileira, que tem reduzido as receitas da União com impostos. Entretanto, apesar da menor arrecadação, os números do Tesouro Nacional mostram que as despesas públicas, impulsionadas pelos gastos obrigatórios, continuam crescendo em 2016.

A situação das contas públicas seria pior ainda se não fossem os Estados que, de janeiro a setembro, arrecadaram mais do que gastaram. De acordo com o Banco Central, o superávit dos Estados, somado, foi de R$ 10 bilhões no período. O governo federal e as estatais, entretanto, registraram déficit de R$ 94,47 bilhões e R$ 1,04 bilhão, respectivamente.

Juros e déficit nominal

Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta, no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, que é utilizado para comparação internacional, houve déficit nas contas do setor público consolidado de R$ 67,1 bilhões no mês passado e de R$ 380 bilhões nos nove primeiros meses do ano, o equivalente a 8,29% do PIB (Produto Interno Bruto).

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