Donos da JBS/Friboi buscam trégua com o BNDES e querem adiar assembleia

FONTE: O SUL – http://www.osul.com.br/

A J&F, que controla a JBS/Friboi e reúne os negócios da família Batista, tenta obter uma trégua do BNDESPar, acionista minoritário que quer afastar Wesley Batista da presidência do frigorífico. A holding contratou um especialista em mediação de conflitos. Na segunda-feira (28), ele enviou uma carta ao BNDESPar na qual pede que seja adiada, por 90 dias, assembleia marcada para sexta-feira (01).

A AGE (assembleia geral extraordinária) vai decidir, a pedido do BNDESPar, se a empresa entra na Justiça contra seus administradores por danos provocados pelos casos de corrupção confessados pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. A missão de Ricado Lacerda, sócio da BR Partners, é restabelecer a interlocução entre J&F e BNDESPar, que está desgastada desde a delação premiada dos irmãos.

Lacerda tem experiência em mediação de conflitos: trabalhou para Citibank e Telecom Italia na briga com o Opportunity e assessorou o Casino contra Abilio Diniz. O BNDESPar, por sua vez, está se movimentando para impedir que a família Batista vote na assembleia. Na semana retrasada, o banco protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) um pedido de interrupção do prazo para a assembleia, alegando conflito de interesse, já que os irmãos seriam os próprios investigados.

O afastamento dos Batista foi uma das primeiras bandeiras levantadas por Paulo Rabello de Castro, que assumiu a presidência do BNDES em junho. Na delação, Joesley acusa o presidente Michel Temer de corrupção. Segundo apurou a reportagem, a área técnica da CVM já se manifestou, mas seu entendimento é sigiloso. O caso vai a julgamento do colegiado a partir desta terça-feira (28) e deve ser decidido até a data da assembleia.

Com 42,16% do capital da JBS, a FB Participações, que pertence aos irmãos Batista, teria vitória fácil na assembleia. Representantes da empresa têm ligado para minoritários importantes, como Capital Group e Blackrock, cuja tendência é se abster.

Mas se a CVM decidir que existe um conflito de interesse, o jogo pode mudar. Graças aos aportes feitos na política dos “campeões nacionais”, o BNDES possui 21,32% da JBS e a Caixa Econômica Federal outros os 4,92%. Sem o controlador, basta chegar a 30% dos votos para aprovar o afastamento de Wesley.

“A regra para a CVM decidir deve ser o bom senso. Dizer que não existe um conflito de interesse é um insulto à inteligência”, opina Mauro Cunha, presidente da Amec (Associação de Investidores em Mercados de Capitais). A CVM vinha optando por não retirar o direito de voto e julgar o conflito a posteriori, mas, recentemente, proibiu o governo de São Paulo e o Metrô de votar em uma assembleia da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) estadual por causa de conflito de interesse.

Na briga com a BNDESPar, a J&F conta com o apoio do conselho de administração da JBS, que decidiu manter Wesley Batista no comando. A decisão final, no entanto, é da assembleia de acionistas. Em comunicado, o conselho da empresa afirma que a troca do presidente seria “prematura e disruptiva” e que a administração deve agir “sem açodamento”. Foram 7 votos favoráveis à permanência de Wesley e dois contrários dos representantes do BNDESPar. Os dois conselheiros independentes votaram a favor dos Batista.

Para os conselheiros, Wesley é vital nesse momento de turbulência, porque conhece a empresa e ganhou a confiança dos credores ao renegociar a dívida. O mandato concedido pelo conselho para Wesley vai até meados do ano que vem.

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