Em conversa com o deputado Osmar Terra, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, defende a demissão de Mandetta do Ministério da Saúde

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Osmar Terra conversaram, na manhã de quinta-feira (09), sobre a substituição do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a mudança na política do governo de enfrentamento ao coronavírus no País.

A CNN Brasil ouviu a conversa após ter telefonado para Terra. O deputado atendeu ao telefonema da emissora, nada falou e não desligou o telefone, o que possibilitou que o diálogo de pouco mais de 14 minutos fosse ouvido.

No trecho inicial da conversa, Terra defende a mudança na política do governo. “Tem que ter uma política que substitua a política de quarentena. Ibaneis [Rocha, governador do Distrito Federal] é emblemático. Se Brasília começa a abrir… Mas ele está com um pouco de receio. Qualquer coisa que fala em aumentar…”, disse, fazendo uma analogia de como as pessoas estão, mesmo com a restrição, saindo às ruas: “Supermercado virou shopping”.

Para ele, a política do atual ministério da Saúde “não está protegendo o grupo de risco”. Terra e Onyx fazem ainda projeções sobre o número de mortos no Brasil pela Covid-19. Onyx estima que deve chegar a 4 mil mortos. Terra acha que fica “entre 3 e 4 mil”. “Vai morrer menos gente de coronavírus do que da gripe sazonal”, declarou o ministro. Ele também cita São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza como os locais onde deve estar concentrada a restrição de circulação de pessoas.

Ambos começam, então, a falar mais especificamente de Mandetta.

Onyx: “Eu acho que esse contraponto que tu tá fazendo…”

Terra: “É complicado mexer no governo por que ele tá…”

Onyx: “Ele [Mandetta] não tem compromisso com nada que o Bolsonaro está fazendo.”

Terra: “E ele [Mandetta] se acha.”

Onyx: “Eu acho que [Bolsonaro] deveria ter arcado [com as consequências de uma demissão]…”

Terra: “O ideal era o Mandetta se adaptar ao discurso do Bolsonaro.”

Onyx: “Uma coisa como o discurso da quarentena permite tudo. Se eu estivesse na cadeira [de Bolsonaro]… O que aconteceu na reunião eu não teria segurado, eu teria cortado a cabeça dele…”

Terra: “Você viu a fala dele depois?”

Onyx: “Ali para mim foi a pá de cal. Eu já não falo com ele [Mandetta] há dois meses. Aí acho que é xadrez. Se ele sai, vai acabar indo para a secretaria do Doria [João Doria, governador de São Paulo].”

Terra: “Eu ajudo, Onyx. E não precisa ser eu o ministro, tem mais gente que pode ser.”

Onyx é do DEM, mesmo partido de Mandetta. Ele começou o governo como ministro da Casa Civil, mas neste ano acabou sendo deslocado para a Cidadania. É, porém, um dos aliados mais fiéis do presidente.

Já Terra é deputado federal pelo MDB. Deixou o Ministério da Cidadania após algumas queixas do Palácio do Planalto, mas principalmente para que Bolsonaro pudesse abrigar Onyx, a quem tem uma grande dívida por ter sido um dos primeiros a acreditar e a se empenhar no seu projeto presidencial.

Ambos têm um projeto político conjunto no Rio Grande do Sul. A ideia predominante é de que Terra seja o candidato ao governo gaúcho em 2022.

Procurado sobre o diálogo vazado, Terra disse que não iria comentar porque se trata de uma conversa privada. Onyx também não se manifestou.

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