Em entrevista, Bolsonaro disse ter sofrido um “atentado político” e critica a investigação da Polícia Federal

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira (24), em entrevista à rádio Jovem Pan, que o ataque que sofreu no último dia 6 foi de natureza política. Também criticou a Polícia Federal. Essa foi a segunda entrevista concedida pelo candidato do hospital Albert Einstein, onde está internado desde o último dia 7.

Na avaliação do presidenciável, a ação executada por Adélio Bispo, preso minutos depois, foi algo planejado e por motivação política. “Foi um atentado político”, afirmou o deputado federal.

Bolsonaro também criticou a linha de investigação da Polícia Federal, de que o agressor teria agido isoladamente. O candidato duvida da capacidade do autor e acrescentou que ele aparentemente não teve medo de ser linchado, podendo ter contado com apoio. Também disse que não quer que encontrem um culpado qualquer. “Eu não quero que inventem um culpado”, afirmou, mas ressaltou que “dá pra apurar”, investigando onde o agressor esteve, os registros por onde passou.

O candidato, no entanto, isentou os policiais sobre o momento do ataque. “O ambiente não tem como ter um sistema de segurança perfeito”, disse.

Bolsonaro também explicou que não acreditava ter sido alvo de uma facada. “Quando eu levei a pancada [facada], eu pensei que um cara tinha dado um soco ou uma pedrada. Eu vi um vulto e não teria condições de dizer [como era] a cara dele”, afirmou, durante entrevista no programa “Pingos nos Is”. A entrevista foi gravada no hospital, ao lado de um de seus filhos, o deputado estadual e candidato ao Senado pelo Rio Flávio Bolsonaro (PSL).

“[O caso foi de] tentativa de homicídio. Tem que ser o que está na lei. Eu costumo dizer muitas vezes. Ou seja, eu estou vivo por milagre… Porque a pena dele tem que ser abaixo de um homicídio?”, questionou. “Esse é um atentado político porque me tira de combate”, avaliou.

O candidato afirmou que foi vítima do que ele próprio combate. Bolsonaro também falou que, se eleito, pretende acabar com a progressão de pena. “Eu prefiro a cadeia cheia de vagabundos do que cemitérios cheios de inocentes”, disse.

Bolsonaro foi atacado por Bispo, armado com uma faca, durante agenda de campanha no centro de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Desde então, passou por duas cirurgias, até sair por completo da Unidade de Terapia Intensiva, no último dia 16. Familiares disseram que ele deve deixar o hospital nesta sexta (28).

O filho do candidato também falou à rádio, na mesma ocasião em que o pai. Ao relatar como soube do ataque, o candidato à Presidência chorou.

O candidato também falou sobre o manifesto que está preparando e que a sua intenção é agir sempre da lei, respeitando a democracia. Aos críticos, afirmou que recebe ataques porque promete acabar com nomeações e privilégios.

Bolsonaro, por não poder voltar a fazer campanha nas ruas, também afirmou que pretende fazer “lives”, entradas ao vivo durante o horário eleitoral.

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