Em seu discurso de posse, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, promete garantir que “ninguém esteja acima da lei”

FONTE: O SUL – http://www.osul.com.br/

Há mais de três décadas no MPF (Ministério Público Federal), Raquel Dodge tomou posse, na manhã desta segunda-feira (18), no cargo de procuradora-geral da República, na cadeira que foi ocupada nos últimos quatro anos por Rodrigo Janot.

Em sua fala de oito minutos, a nova chefe do MPF prometeu “defender a democracia, zelar pelo bem comum e meio ambiente e garantir que ninguém esteja acima da lei e ninguém abaixo da lei”. A cerimônia de posse contou com a presença de familiares de Raquel, de integrantes do Ministério Público, magistrados e políticos, entre eles o presidente Michel Temer.

A solenidade, realizada no auditório da sede da PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, começou às 8h12min. Após a execução do Hino Nacional, Temer assinou o termo de posse de Raquel. Na sequência, ela assinou o livro e fez o seu primeiro discurso como procuradora-geral da República. “Estou ciente da enorme tarefa que está diante de nós e da legítima expectativa a que seja cumprida com firmeza, equilíbrio e coragem”, declarou.

Entre as referências que citou em seu discurso, Raquel mencionou o papa Francisco e a poeta Cora Coralina. Do papa, citou uma frase em que o religioso diz que “o corrupto está satisfeito em alimentar sua autossuficiência e não se deixa abalar por nada ou por ninguém”, alimentando sua autoestima com atitudes fraudulentas, “ao preço de sua própria dignidade e da dignidade dos outros”.

A nova procuradora-geral se referiu a Cora Coralina como conterrânea “de meu amado Estado de Goiás”. Parafraseando a autora, disse esperar que possa contribuir “para que haja mais esperança em nossos passos do que tristeza em nossos ombros”.

Primeira mulher a assumir o comando do Ministério Público, Raquel chefiará a PGR pelos próximos dois anos. Desde 1987 no Ministério Público Federal, ela foi indicada para o comando da PGR por Temer, em junho. Raquel ficou em segundo lugar na eleição da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), atrás de Nicolao Dino, candidato apoiado por Janot. A indicada por Temer foi aprovada pelo Senado em julho.

À frente do MPF, Raquel tem a missão de garantir a continuidade da Operação Lava-Jato, que investigou mais de cem políticos de diferentes partidos durante a gestão de Janot, que se tornou o primeiro procurador-geral a denunciar um presidente da República.

Janot apresentou duas denúncias contra Temer, a última na quinta-feira (14) pelos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. Para que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise a acusação, é preciso a autorização da Câmara dos Deputados. Na primeira denúncia, apresentada em junho por corrupção passiva, o maioria dos deputados decidiu que o caso só será analisado pelo Judiciário ao final do mandato de Temer.

Presidente

Ao final da primeira manifestação de Raquel como procuradora-geral, Temer fez um rápido discurso de improviso. Ele voltou a alfinetar Janot, que se tornou um dos principais desafetos do peemedebista. “Foi com prazer imenso ouvi-la dando aula em seu discurso. Uma aula referente aos grandes princípios regentes do nosso País, todos eles encartados na Constituição Federal de 88. Foi com o prazer extraordinário que eu ouvi dizer que autoridade suprema não está nas autoridades constituídas, mas está na lei. Ou seja, toda vez que há ultrapasse dos limites da Constituição Federal ou dos limites da lei, verifica-se o abuso de autoridade”, afirmou Temer.

“Porque a lei é a maior autoridade do nosso sistema. Não é sem razão que a Constituição estabelece que o poder não é nosso, mas é do povo. Não é sem razão a ouvi dizer da harmonia entre os poderes”, complementou.

Viagem de Temer

A cerimônia foi antecipada para o início da manhã desta segunda para conciliar com a agenda de Temer. Após a posse de Raquel, o presidente da República embarcou para Nova York, nos Estados Unidos, onde participa, ainda nesta segunda-feira, de um jantar oferecido pelo presidente norte-americano Donald Trump. Nesta terça-feira (19), Temer faz o tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

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