Em seu discurso de posse, o novo ministro da Segurança Pública criticou a classe média dizendo que ela financia o crime consumindo drogas

Em seu discurso de posse no comando do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, criticou a classe média que pede segurança, mas, ao mesmo tempo, consome as drogas ilícitas que financiam o crime organizado. Ele também defendeu um papel maior do governo federal na segurança, cuja responsabilidade hoje recai principalmente sobre os estados, embora o crime organizado tenha atuação nacional e internacional. Jungmann chamou ainda a atenção para o fato de a segurança, diferentemente da educação e da saúde, não ter um piso de gastos públicos

Jungmann também disse que quadrilhas continuam apavorando os cidadãos de dentro dos presídios e que o sistema carcerário brasileiro se tornou o “home office” do crime organizado.

“Se nós olharmos mais amplamente o que vem acontecendo com relação ao crime organizado, o cenário é tão desolador ou mais. […] Quadrilhas que continuam de dentro do sistema carcerário a apavorar a nossa cidadania. O sistema carcerário infelizmente continua a ser em larga medida home office do crime organizado”, afirmou o ministro.

Uma das funções de Jungmann no novo ministério será gerenciar o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), que, junto com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança, passará a ser coordenado pela nova pasta e não mais pelo Ministério da Justiça.

Jungmann ocupava o Ministério da Defesa desde o início da gestão de Temer, em maio de 2016. Com a saída dele, o general de Exército Joaquim Silva e Luna assumiu de forma interina o comando da pasta.

O Ministério Extraordinário da Segurança Pública foi criado por meio de medida provisória publicada na edição desta terça-feira do Diário Oficial da União. Em seu discurso de posse, Jungmann afirmou que a criação do ministério tem o objetivo de integrar ações com Estados e municípios. 

“Eu diria que a União precisa ampliar suas responsabilidades e coordenar e promover a integração entre os entes federativos, Estados e municípios”, declarou. O ministro defendeu o combate ao crime organizado, porém sem violar direitos humanos. “Combater duramente, enfatizo, duramente, o crime organizado, sem jamais desconsiderar a lei e os direitos humanos”, declarou.

Vida política

Em seu discurso, Jungman, que já foi deputado federal, informou que “encerra” a carreira política para se dedicar ao ministério. Ele disse que pedirá ao PPS, partido ao qual é filiado, a suspensão das suas atribuições na legenda.

Suplente na atual legislatura da Câmara dos Deputados, Jungmann avaliava deixar o governo para disputar as eleições. Com a nova missão, decidiu permanecer na equipe de Temer. “Quero dizer que ao aceitar esse cargo abro mão de uma das coisas mais caras da minha vida: a minha carreira política. Encerro a minha carreira política para me dedicar integralmente a isso.”

Temer

Durante a solenidade no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Michel Temer afirmou que “a intervenção federal no Rio de Janeiro foi instalada com diálogo. E não podíamos ficar só nela, por isso criamos o Ministério da Segurança Pública. Ele vai coordenar e promover a segurança pública, especialmente na área da inteligência”.

“Nós unificamos a área de segurança pública no Brasil. E a medida provisória vai promover a integração desse setor por meio da inteligência. Vamos combater a criminalidade levando em conta os aspectos sociais. É preciso dar solução para os problemas sociais. A pasta nasce de uma constatação que se tornou inescapável: o crime organizado só se fortalecia com a fragmentação dos esforços do Poder Público”, prosseguiu Temer.

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