Empreiteiro disse que um ex-assessor de Lula pagou por obras do sítio em Atibaia

O empreiteiro Carlos Rodrigues do Prado afirmou, nesta segunda-feira, 19, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que Rogério Pimentel, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pagou pela obra do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, atribuído pela força-tarefa da Operação Lava-Jato ao petista. Segundo ele, Rogério Aurélio Pimentel aprovou os valores sem discussão e sem pedido de ‘desconto’ em um posto de gasolina próximo à propriedade rural. Carlos Rodrigues Prado falou como testemunha de acusação em ação penal contra o petista. Ele ainda disse que, atendendo solicitação de Aurélio, emitiu as notas fiscais da obra contra o empresário Fernando Bittar, proprietário do imóvel.

Prado depôs pela primeira vez no âmbito da ação penal contra o ex-presidente, que entrou na fase de instrução – produção e análise de provas – no dia 5 de fevereiro. Suas declarações já haviam sido tomadas pela Polícia Federal no âmbito das investigações e constam na denúncia do Ministério Público Federal. Segundo a acusação, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin, com o pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobrás. A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.

O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos do ex-presidente, Fernando Bittar – filho do amigo e ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna. A Lava Jato sustenta que o sítio é de Lula, que nega.

O empreiteiro afirmou ter cobrado o montante de R$ 163 mil, dividido em quatro vezes, para fazer a obra em 2010. De acordo com ele, a reforma teve início em dezembro daquele ano e ‘rolou ali uns 30 dias, mais ou menos’.

Ao juiz Moro, o empreiteiro relatou que foi chamado pelo engenheiro Frederico Barbosa, ligado à Odebrecht, para terminar a obra de dois cômodos e de uma guarita do sítio. Segundo Carlos do Prado, o engenheiro o apresentou a Rogério Aurélio Pimentel, ex-assessor de Lula e também réu na ação sobre as reformas do sítio de Atibaia. O ex-presidente é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Eu não sabia nem o nome dele (Aurélio). Depois que eu fiquei sabendo que o Aurélio é uma pessoa que negociava ou acertava os negócios da obra. Inicialmente, a única pessoa que eu conhecia lá era o seu Frederico. Esse Aurélio foi quando eu fiz o orçamento, que eu liguei para o Frederico: ‘olha, o orçamento da obra está pronto’. A gente encontrou em um posto de gasolina que tinha lá antes de chegar na obra e encontrei com o Frederico e esse Aurélio. Ele (Frederico) falou: ‘o dono da obra é esse daqui’. Eu passei para ele, eles conversaram lá e a gente começou a tocar a obra”, contou.

O empreiteiro foi questionado pelo Ministério Público Federal sobre o orçamento da obra. O procurador quis saber se Carlos do Prado havia passado a estimativa dos gastos a Aurélio e também se o ex-assessor de Lula havia concordado.

“Concordou. Não teve assim nem discussão: ‘Ah, me dá um desconto’”, disse Carlos do Prado.

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