Ex-gerente da Petrobras preso movimentou mais de 5 milhões de dólares em contas no exterior

O procurador da República Roberto Pozzobon, da Operação Lava-Jato, disse nesta terça-feira (28) que a propina passada dentro da Petrobras era “intergeracional”, que passava de funcionário para funcionário, mesmo que o primeiro tenha já deixado a empresa. Foi o caso de Roberto Gonçalves, que sucedeu a Pedro Barusco como gerente executivo da Área de Engenharia e Serviços da Petrobras no período entre março de 2011 e maio de 2012.

Roberto foi preso na manhã desta terça-feira na 39ª fase da Operação Lava-Jato. Segundo a força-tarefa, Roberto Gonçalves movimentou mais de US$ 5 milhões ilicitamente em contas no exterior, espalhados por mais de quatro contas em diferentes instituições financeiras na Suíça, na China e nas Bahamas. Quatro milhões foram bloqueados em contas na Suíça, afirmaram os procuradores.

“Passados três anos de Operação Lava-Jato, diversas colaborações celebradas e documentos coletados, verifica-se que a corrupção é intergeracional, ela passa de geração em geração, infelizmente de pai para filho (…). Hoje vivemos uma verdadeira herança a propina. Quando Pedro Barusco, que ocupava a diretoria de Engenharia, saiu, foi sucedido por Roberto Gonçalves. Na sucessão do cargo também se passou o bastão da propina”, disse o procurador, durante entrevista coletiva realizada em Curitiba, nesta terça-feira, para detalhar a ação.

Segundo o procurador, ao deixar o cargo Barusco conversou com executivos da UTC e da Odebrecht, e falou: “Olha, a partir de agora quem vai receber a propina em favor da gerência de Engenharia será Roberto Gonçalves, conversem com ele”.

Pozzobon lembrou que há ainda muitas investigações em andamento, que podem afetar outras gerências. O procurador fez uma recomendação a possíveis próximos alvos de investigações.

“O caminho adequado para eles é que, antes que estejam no radar ou que apareçam na investigação, que procurem as autoridades públicas e revelem os fatos ilícitos que praticaram, restituam o dinheiro que desviaram dos cofres públicos e aí busquem, por meio da celebração de um acordo de colaboração premiada, acertar a sua situação com a Justiça”, declarou o procurador.

A Força-Tarefa usou várias delações para chegar à operação de hoje, além de acordos de colaboração com outros países, principalmente a Suíça, onde estava parte do dinheiro arrecadado por Roberto Gonçalves. O que chamou a atenção da Força-Tarefa foi “a sofisticação para se ocultar a lavagem”.

Segundo as investigações, Gonçalves recebeu propina em três bancos do País e transferiu a verba para uma única conta registrada em nome da offshore Fairbridge Finance SA. Somente em 2011, essa conta teria recebido cerca de US$ 3 milhões de offshores ligadas ao “setor de propinas” da Odebrecht. Outra conta, registrada na offshore Silverhill Group Investment Inc., recebeu, somente em 2014, mais de US$ 1 milhão provenientes da conta em nome de outra offshore vinculada a ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.

“A partir da Operação Lava-Jato, em março de 2014, percebemos que, em seguida, Roberto Gonçalves começou a transferir esses valores para contas em instituições financeiras sediadas em outros países, como China e Bahamas”, detalhou o procurador Júlio Motta Noronha.

Roberto Gonçalves já era investigado no Brasil a partir de auditorias internas da Petrobras e de depoimentos prestados por investigados que firmaram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. Ele chegou a ser preso temporariamente pela Lava-Jato em novembro de 2015, mas acabou solto na sequência.

“Em 2015, as investigações ainda estavam ocorrendo e havia um histórico de medidas tomadas para investigar as condutas de Roberto Gonçalves. Essas condutas foram agora comprovadas, especialmente pelo recebimento de valores que ele ocultou, em novembro daquele ano, em contas na Suíça”, explicou o procurador Júlio Motta Noronha.

Além de Roberto Gonçalves, pessoas físicas e jurídicas ligadas à corretora de valores Advalor Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda foram alvo da operação. A instituição foi apontada por diversos colaboradores da Lava-Jato, como o empresário Mario Góes, como facilitadora da lavagem de dinheiro de recursos recebidos a partir de contratos da Petrobras.

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