Fachin autoriza transferência de Rocha Loures para carceragem da PF

O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta terça-feira (13) a transferência do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para a carceragem da Polícia Federal em Brasília.

Preso na Penitenciária da Papuda desde o último dia 7, Rocha Loures pediu para voltar à carceragem da PF, onde estava inicialmente preso, alegando risco de vida.

Na Papuda, Loures havia sido encaminhado para a chamada “ala de vulneráveis”, construída para receber presos do mensalão. Inicialmente, a transferência estava prevista para ocorrer após o depoimento, que foi adiado, e acabou acontecendo mais tarde.

Ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Rocha Loures foi flagrado pela Polícia Federal recebendo, em São Paulo, uma mala com R$ 500 mil que, segundo as delações de ex-executivos da JBS, eram dinheiro de propina.

O a primeira parcela de uma propina que seria paga toda semana, ao longo de 20 anos, para o presidente Michel Temer e para Rocha Loures, segundo delatores. Em troca,Joesley Batista, um dos donos da JBS, queria ajuda para ganhar uma disputa no Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Joesley gravou um encontro com o presidente Temer, em que, segundo os procuradores, “verifica-se que Temer indica o deputado Rodrigo da Rocha Loures, a quem chama de Rodrigo, como pessoa de sua extrema confiança”.

Antes de ser transferido para a Papuda, Loures estava preso na Superintendência da PF numa cela de 9 metros quadrados, com beliche e uma cama. O local não tem televisão, pia, chuveiro, nem janelas.

O pedido de transferência

No pedido de transferência enviado ao STF, a defesa de Loures apontou “ameaças diretas e indiretas” ao ex-deputado por especulações na imprensa de que ele poderia fechar um acordo de delação premiada.

O pedido relatava ainda que, no último dia 8, o pai de Loures recebeu telefonema de um conhecido da família avisando que o ex-deputado corria risco de vida caso não concordasse com a delação.

Ao STF, os advogados do ex-assessor de Temer também apontaram que o interior de prisões é local “propício para se encaminhar ‘um matador’” e, por isso, pediam, ainda, a prisão domiciliar de Rocha Loures, além de segurança para a família dele por agentes da Polícia Federal.

Decisão de Fachin

Na decisão em que autorizou a transferência do ex-deputado, Fachin considerou que, embora não haja provas do risco de vida, as alegações da defesa são graves e pediu apuração do Ministério Público.

O ministro negou o pedido de prisão domiciliar, mas determinou que a PF garanta a integridade física de Rocha Loures.

Comentários