Falta de oxigênio: colapso atinge cidade do Pará

Após o colapso do sistema de saúde do Amazonas, com falta de leitos e oxigênio para atender pacientes, o Pará, no município de Faro, no oeste do Estado, também registra colapso no atendimento após a alta de casos de Covid-19 com a passagem das festas de fim de ano. A infraestrutura e os equipamentos também não estão dando conta da demanda.

Na manhã desta terça-feira (19), segundo o jornal Estado de S. Paulo, o prefeito Paulo Carvalho conseguiu comprar 20 balas de oxigênio na cidade de Santarém (PA). Além de Santarém, Faro também costuma comprar suprimentos de oxigênio em Manaus, no Amazonas. “Ambas as cidades estão em crise. A demanda é maior que a quantidade, porque a produção está comprometida”, afirmou à publicação, referindo-se à crise na empresa White Martins, fornecedora de oxigênio hospitalar na região oeste do Pará.

A prefeitura local também triplicou o número de leitos, passando de 6 para 30, mas, conforme o médico da Unidade Básica de Saúde de Faro, Yordanes Perez, o oxigênio recebido garante apenas dois dias de tratamento dos pacientes internados. “Nós estamos vivendo uma crise, na contramão para tentar salvar vidas. Estamos trabalhando 24 horas para isso”, explicou.

Segundo o governo do Pará, caminhões contendo um total de 159 cilindros de oxigênio chegaram, ainda na segunda-feira (18), a Santarém, no oeste do Pará. De lá, eles foram distribuídos para as cidades de Oriximiná (79), Terra Santa (30), Faro (20) e Juruti (30), em caráter preventivo.

O Executivo paraense afirma que, com capacidade superior a 58 mil m³ diários de produção de oxigênio, o Pará atende nesta terça-feira a totalidade das demandas de suas 144 cidades, inclusive com capacidade de prestar apoio aos Estados do Amapá e Maranhão. Para garantir essa estabilidade, a Secretaria de Estado de Saúde Pública emitiu alerta às secretarias municipais, em especial onde houve mudança de bandeiramento, como é o caso da região do Baixo Amazonas, para que fiquem atentas no monitoramento e abastecimento dos hospitais, no sentido de evitar baixas e falta de um elemento tão essencial à vida.

Por causa da municipalização da saúde, cada prefeitura é responsável pela manutenção de contratos e aquisição do produto para abastecimento local, cabendo então à gestão estadual a compra e o abastecimento de oxigênio dos hospitais estaduais. “Também damos um apoio na intermediação para que os prefeitos sejam atendidos pelas empresas fornecedoras de oxigênio”, explica o secretário adjunto de Gestão Administrativa da Sespa, Ariel Barros.

Equipes destacadas pelo 9º Centro Regional de Saúde da Secretaria, que congrega 20 municípios da zona oeste do Pará, com apoio da Secretaria Regional de Governo do Oeste do Pará, atuam diretamente no monitoramento preventivo por conta do aumento do número de casos desde o dia 14 de janeiro, quando estourou a crise da falta do insumo no Amazonas, Estado vizinho.

“Entendemos que deveríamos agir de forma preventiva, redobrando os cuidados com as barreiras sanitárias e monitorando o cenário de ofertas de leitos e oxigênio”, ressalta a diretora do 9o CRS, Aline Cunha. Os envios preventivos de oxigênio para municípios do Baixo Amazonas já são frutos dessa observação. “Importante estarmos unidos para salvarmos o maior número de vidas, essa é nossa missão, do governo das prefeituras. E vamos fazer nossa parte, usar a máscara, fazer higienização, só assim vamos vencer juntos”, declara o secretário regional de Governo, Henderson Pinto.

Atualmente, o Pará conta com fornecimento de oxigênio produzido pelas empresas White Martins e Air Liquid, e ainda possui suporte logístico com outras regiões do país como retaguarda para casos de extrema necessidade.

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