Fevereiro foi mais seco que o mês de janeiro em Porto Alegre

O mês de fevereiro fechou com um acumulado 119,1 milímetros de chuva. Os volumes foram contabilizados em seis dias e alguns deles, bem intensos. A média histórica de precipitação pluviométrica de Porto Alegre, no mês, é de 108,6 milímetros. De acordo com o Inmet, o mês de janeiro acumulou 149,7 milímetros, em 11 dias de chuva.

Os meteorologistas do Sistema Ceic Metroclima explicam que os primeiros dias de fevereiro estavam sobre domínio de uma massa de ar seco. Mas no dia 9 de fevereiro, a Capital registrou rajadas de 80Km/h. Em menos de uma hora choveu 20,60 milímetros na região Central que foi atingida por um Downburst (vendaval). Outro forte temporal foi registrado no dia 27 de fevereiro, com registro de granizo e um acumulado de 38 milímetros na estação do Centro. O volume do Guaíba oscilou entre 0,50 metros, que é a média histórica do mês, e 0,97 metros.

 A meteorologista Estael Sias lembra que o fenômeno climático La Nina ainda influenciará o clima nas próximas semanas e mantém a irregularidade da chuva, com tendência de volumes próximos a média histórica, que é 104,4 milímetros. “O mês de março marca um período de transição com o equinócio de outono, que ocorrerá dia 20, marcando o início da nova estação. Já a variação térmica tende a ser grande com maior incursão de massas de ar frio contrastando com o calor, que ainda faz nesta época. Esses altos e baixos na temperatura favorecem a ocorrência de rajadas de vento com maior frequência na Capital”, complementa Estael.

Seca castiga safra

A estiagem recente no Rio Grande do Sul se concentra nas regiões ao sul do Estado e deve derrubar a safra de arroz deste ano ante o esperado, mas a perspectiva se mantém positiva para soja e milho, já que as lavouras mais ao norte têm sido beneficiadas por chuvas um pouco mais regulares, disse  um representante da Emater/RS.

Nos últimos 30 dias, choveu entre 60 e 90 mm abaixo da média histórica no Sul do Rio Grande do Sul, enquanto no centro-oeste e noroeste as precipitações ficaram em torno de 20 mm aquém do normal, de acordo com dados do Agriculture Weather Dashboard, do terminal Eikon da Thomson Reuters.

A seca, entretanto, tem sido prejudicial basicamente ao arroz no Estado, segundo o assessor especial da diretoria da Emater/RS, Wanderlei Pereira. “O arroz é produzido principalmente nas regiões sul e de Campanha do Rio Grande do Sul, onde está mais seco”, explicou.

Maior produtor nacional de arroz, respondendo por 70 por cento da safra do país, o Rio Grande do Sul deve colher neste ano 8,2 milhões de toneladas do grão, 3,4 por cento menos ante os 8,5 milhões de toneladas esperados a princípio, de acordo com a Emater/RS. Em 2016/17 foram cerca de 8,7 milhões.

Uma potencial quebra de safra poderia dar sustentação aos preços da commodity, que já caíram 5,4 por cento no acumulado deste ano no Estado, segundo o Cepea, e levaram o governo a recentemente realizar leilões de PEP e Pepro para escoar 300 mil toneladas da região Sul. Esses mecanismos são usados pelo governo para tentar dar sustentação às cotações.

Milho e soja

Com relação aos outros dois principais grãos cultivados no Estado, o milho e a soja, a Emater/RS ainda mantém projeções de alta na safra, com as produções das lavouras ao norte do Estado compensando as perdas mais ao sul.

Conforme a Emater/RS, o terceiro maior produtor de soja deve colher 17,1 milhões de toneladas da oleaginosa neste ano, ante 16,75 milhões na previsão inicial. Quanto ao milho, a expectativa é de uma colheita de 4,7 milhões de toneladas, de 4,6 milhões inicialmente.

Em 2016/17, foram 18,7 milhões de toneladas de soja e 6 milhões de toneladas de milho.

Com isso a safra total de grãos do Estado deve alcançar 30,1 milhões de toneladas, 0,7 por cento superior ao esperado no começo da temporada, segundo a Emater/RS.

 

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