Foi presa uma quadrilha que aplicava golpes em grandes empresas que atuam em parceria com o setor público no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina

A Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Informáticos do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Impostores nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, prendendo uma quadrilha que aplicava golpes naqueles Estados. A ação foi realizada em Porto Alegre e nos municípios de Balneário Camboriú e Itajaí.

A quadrilha, composta em princípio por quatro criminosos, foi desarticulada pela operação. O grupo realizava estelionato e lavagem de dinheiro com ganhos ilícitos especialmente obtidos diretamente de gestores de grandes empresas que atuam em parceria com o setor público. Foram presos, nas cidades catarinenses, três bandidos de 32, 37 e 41 anos. Os policiais civis apreenderam documentos e celulares.

A atuação da quadrilha foi descoberta após monitoramento de e-mails utilizados como meio de efetivação dos delitos. Os impostores atuavam criando diversos personagens – como professores, delegados de polícia, assessores parlamentares, secretários municipais – por meio de correios eletrônicos, cartas de apoio ou recomendação de trabalhos voluntários a serem realizados nacional ou internacionalmente, a exemplos de viagens a Buenos Aires, visando credenciar a Capital gaúcha como diplomada a receber inexistente evento internacional de grandes proporções (Fórum Internacional do Voluntariado Transformador e Juventude) e Dubai para comparecimento em inexistente Seminário de Segurança, além de outras farsas.

Nesse sentido, os indiciados realizavam contato pessoal ou telefônico, ardilosamente obtidos das respectivas equipes de assessoramento, com autoridades públicas da mais alta relevância, ludibriando-as a receber as minutas ideologicamente falsas e na sequência reenviá-las timbradas e assinadas.

Os estelionatários conseguiram diversas cartas de apoio para eventos ou viagens inexistentes, que armazenavam nas respectivas contas de e-mail, permitindo, então, alcançar o seu objetivo principal: ganhar dinheiro de gestores de médias e grandes empresas, que confiavam, a partir dos documentos virtualmente recebidos, estar auxiliando programas de voluntariado, de caráter filantrópico e de instrução para comunidades carentes.

Foi descoberta a existência de uma produtora de eventos e shows, com atuação em diversas cidades catarinenses, na qual era lavado o dinheiro ilegal. Ao todo, mais de 30 gestores ou empresas foram alvos dos bandidos, que pediam até 300 mil reais. Nem todas as companhias, contudo, foram lesadas financeiramente em razão da atuação preventiva da Polícia Civil.

Segundo o delegado Marco Guns, “técnicas de monitoramento remoto foram essenciais para o resultado da operação, que impediu sensível prejuízo financeiro de empresas que atuam como parceiras do setor público”.

De acordo com o delegado Sander Cajal, “a atuação técnica e focada da equipe investigativa abreviou a atuação audaciosa do grupo que agia artificiosamente na obtenção de ganhos ilícitos, enganando empresários que geram emprego e renda”.

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