Futuro reitor da UFRGS defende diálogo e aproximação com a sociedade na gestão da universidade

Escolhido por Bolsonaro, Bulhões é diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. (Foto: Lucas Dalfrancis/Critério/ Divulgação)

Em coletiva virtual, o futuro reitor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), professor Carlos André Bulhões, afirmou que o seu mandato para os próximos quatro anos será com amplo espaço para o diálogo e aproximação com a sociedade, atuando por uma educação pública gratuita e de qualidade.

De acordo com Bulhões, a nova gestão terá um grande desafio no pós-pandemia, cujos efeitos já são sentidos pela sociedade. “Temos um ambiente de redução de atividade econômica, de desemprego e todas as questões sociais inerentes a isso, tornando mais difícil o acesso à verba pública”, destacou na quinta-feira (17). Ele ressaltou que, além dos recursos próprios, a universidade buscará a captação de outras fontes. Uma das propostas é a criação de uma Pró-Reitoria de Inovação e Relação Institucional.

“A UFRGS, que sempre foi vista como um patrimônio e uma referência na sociedade, infelizmente tem perdido espaço na lembrança dos gaúchos. O conflito de lados gera uma percepção errada da nossa universidade. Queremos que a UFRGS seja mais consultada por sua excelência acadêmica, principalmente nesse momento pós-pandemia. Queremos nos unir nesse contexto, porque temos talentos e condição para oferecer soluções”, destacou.

“Acredito que a minha trajetória acadêmica e preparo tenham contribuído para a escolha do meu nome na lista tríplice encaminhada após a consulta à universidade. Como disse antes: as três candidaturas estavam aptas e com serviços prestados, então, todos tinham legitimidade”, completou.

Nomeação

O presidente Jair Bolsonaro nomeou, na quarta-feira (16), Bulhões como reitor da UFRGS. O mandato começará em 21 de setembro, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União.

A nomeação causou descontentamento em parte da comunidade acadêmica por Bulhões não ter sido o mais votado na eleição, que ocorreu de forma virtual devido à pandemia de coronavírus. No entanto, a escolha do presidente, que analisou a lista de candidatos ao cargo, não é ilegal.

Os atuais reitor e vice-reitora da universidade, Rui Oppermann e Jane Tutikian, venceram o pleito. Em segundo lugar, ficou a chapa de Karla Maria Müller e Cláudia Wasserman. Já Bulhões e Patrícia Helena Lucas Pranke ficaram na terceira posição na consulta.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFRGS realizou um protesto contra a nomeação na tarde de quinta-feira, em frente à reitoria, em Porto Alegre.

“Não aceitamos a movimentação da extrema direita que nomeou Bulhões à reitoria da UFRGS! Vamos proteger nossa universidade da intervenção bolsonarista!”, afirmou o DCE

Perfil

Carlos Bulhões é professor titular e diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, com 36 anos dedicados à docência. Engenheiro civil, doutor em Planejamento de Recursos Hídricos e pós-doutor em Planejamento Ambiental, atuou na perícia do rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. É diretor do Sindicato dos Engenheiros do RS e foi conselheiro titular do CREA-RS (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia).

A próxima vice-reitora é Patricia Pranke. Renomada pesquisadora da área de células-tronco, é professora titular da Faculdade de Farmácia e do programa de pós-graduação em Ciências Biológicas – Fisiologia da UFRGS. Possui mestrado em Ciências Médicas, doutorado em Genética e Biologia Molecular e pós-doutorado na área de nanotecnologia, engenharia de tecidos e medicina regenerativa.

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