Governo da China admite falha na resposta à epidemia do novo coronavírus


No fim de janeiro, o governo chinês iniciou a construção de dois hospitais
Foto: Reprodução

Em um gesto raro, o governo da China admitiu falha na resposta à epidemia do novo coronavírus, que já matou quase 430 pessoas e infectou mais de 20 mil no país. O Comitê do Partido Comunista, que reúne as maiores lideranças chinesas, reconheceu a necessidade de melhorar o gerenciamento do sistema de saúde de emergência.

“Em resposta às deficiências, precisamos melhorar nosso sistema nacional de gerenciamento de emergências e melhorar nossas habilidades em lidar com tarefas urgentes e perigosas”, afirma o relatório.

O comitê também ordenou uma repressão aos mercados ilegais de animais silvestres, que estariam na origem da epidemia: “É necessário fortalecer a supervisão, proibir e reprimir severamente os mercados e o comércio ilegal de animais silvestres”.

Existe a suspeita de que os primeiros casos da doença surgiram em um mercado de animais silvestres em Wuhan, na província de Hubei.

As autoridades chinesas foram acusadas de subestimar a gravidade do novo coronavírus, o 2019 n-CoV, no início da epidemia e, em alguns casos, tentar manter em sigilo as notícias.

Um médico de Wuhan, que tentou alertar seus colegas sobre o surto no fim de 2019, foi acusado de “fazer comentários falsos” e instruído pela polícia a interromper a “atividade ilegal”.

Apenas em janeiro, o governo ordenou o bloqueio de Wuhan e de cidades próximas em uma tentativa de conter a expansão do vírus. No fim de janeiro, o governo iniciou a construção de dois hospitais. O primeiro deles, construído em apenas dez dias, começou a receber os seus primeiros pacientes na segunda-feira (03).

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