O presidente do Banco Central prevê uma alta de 4% do PIB do Brasil em 2021, após uma queda de 5% neste ano

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, avalia que a economia brasileira deve apresentar queda de 5%, este ano, e expansão um pouco acima de 4%, em 2021. Segundo ele, a economia brasileira está em recuperação e o resultado do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), do segundo trimestre, divulgado na terça-feira (1º), mostra um aspecto positivo, a atividade agrícola no País não parou em meio à pandemia da Covid-19. Já o setor de serviços teve resultados piores do que o esperado.

Na terça-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o PIB teve queda de 9,7% no segundo trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior. Segundo o IBGE, o desempenho da economia foi afetado pelo auge das medidas de distanciamento social para controle da pandemia da Covid-19, adotadas em vários pontos do País a partir de meados de março.

Campos Neto destacou que analistas de mercado estão revisando para melhor as previsões para o PIB, com a economia mostrando sinais de que está havendo uma aceleração. Na avaliação do presidente do BC, o terceiro trimestre deve apresentar resultado positivo.

Ele acrescentou que o principal risco para a atividade econômica seria uma segunda onda de contaminações pela Covid-19, o que não está nas previsões. “E também o fator medo, que leve as pessoas a mudarem o seu comportamento e não consumirem”, disse.

Campos Neto avaliou ainda que o controle das finanças públicas é essencial para a retomada da economia. “É impossível ter juros baixos e inflação baixa sem disciplina fiscal”, disse.

Primeiro semestre

Em valores correntes, o PIB, somou R$ 1,653 trilhão de abril a junho, segundo o IBGE. Após revisão da queda do primeiro trimestre de -1,5% para -2,5%, a economia acumulou queda de 5,9% no primeiro semestre do ano. Nos últimos quatro trimestres, encolheu 2,2%, e na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o recuo foi de 11,4%. O PIB está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana.

A retração da economia resulta das quedas históricas de 12,3% na indústria e de 9,7% nos serviços. Somados, indústria e serviços representam 95% do PIB nacional. Já a agropecuária cresceu 0,4%, puxada, principalmente, pela produção de soja e café.

Esses resultados referem-se ao auge do isolamento social, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para enfrentamento da pandemia”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. As informações são da Agência Brasil e do IBGE.

 

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