Investidores estrangeiros criticam o sistema tributário caótico do Brasil

Nem tão bom quanto se falava há cinco anos, nem tão ruim como muitos apontam agora. Essa avaliação, feita pelo espanhol Ignacio Sánchez Galán, resume o sentimento sobre o Brasil no Fórum Econômico Mundial. “Vamos continuar no país, apesar de todos os problemas”, disse o presidente da multinacional Iberdrola, lembrando que estão mantidos os planos da empresa de energia de investir mais 4 bilhões de dólares até 2020.

Apoio às investigações da Operação Lava-Jato, dúvidas sobre a capacidade de aprovação de reformas consideradas agressivas, expectativa de uma recuperação gradual da economia e muitas reclamações sobre a complexidade do sistema tributário foram comentários frequentes sobre o Brasil no Fórum Econômico Mundial na Suíça.

Uma avaliação quase consensual é que, apesar das incertezas políticas em torno do novo governo, as autoridades brasileiras souberam “vender” o Brasil melhor do que em anos anteriores. “Eles sabem falar a língua de Davos”, resumiu um empresário latino-americano com operações no País, em referência ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

“Continua sendo um mercado com enormes potencialidades”, diz o presidente da Nestlé, Peter Branbeck, com a convicção de lenta melhora da situação econômica. “Estou ligeiramente otimista.” As propostas de reformas apresentadas pelo presidente Michel Temer são bem vistas, mas poucos têm uma opinião sobre a real capacidade do governo de aprová-las no Congresso. Um empresário afirma que falta a Temer apoio popular, mas que ele parece ter base parlamentar mais sólida.

De todo modo, o tom é de cautela com as perspectivas de volta do crescimento. “Há um período entre as sinalizações e uma mudança de humor que destrave os investimentos”, avalia Martín Eurnekián, CEO de aeroportos da argentina Corporación América, que administra terminais de Brasília e Natal.

Mais do que impostos altos, o que assusta é a complexidade da carga tributária. Um executivo da empresa americana de telecomunicações AT&T fez chegar uma queixa ao governo. “Por que todo ano, quando chega meados de dezembro, nenhum dos meus contadores sabe dizer quanto preciso deixar reservado para pagar impostos?”, perguntou a um ministro no Fórum Econômico Mundial.

O presidente da espanhola Acciona Energia, Rafael Alcalá, cita o PIS/Cofins como exemplo de aberração tributária. “O sistema é excessivamente complexo”, lamenta. A empresa tem uma fábrica na Bahia de equipamentos eólicos. Outro problema citado com frequência, diz Alcalá, é a sobrevalorização do real e seus efeitos na perda de competitividade industrial.

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