Japão tem pior mês da pandemia de coronavírus com 268 novos casos por dia, em média

Abril é o mês mais crítico da pandemia de coronavírus no Japão. O país, que fez parte da primeira leva de confirmações de casos fora da China, registrou média de 268 novos casos de Covid-19 por dia neste mês, e crescimento diário de 12%. Com esse aumento, o Japão já alcançou, em seis dias de abril, 87% do número de casos confirmados durante todo o mês de março.

A média diária de mortes também vem aumentando no país. Ela saltou de 1,6 para 2,8, entre março e abril. Até o último relatório divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), nesta segunda-feira (06), o país somava 73 mortes e mais de 3,6 mil casos da doença.

Diante do crescimento, o governo japonês decidiu mudar sua abordagem em relação ao combate à doença. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, declarou que o governo planeja decretar estado de emergência em Tóquio e outras seis cidades sete cidades a partir desta terça-feira (07).

O Japão esteve na leva inicial de países com confirmação de casos da Covid-19 fora da China, juntamente com Coreia do Sul e Tailândia. O primeiro foi registrado em 15 de janeiro. Já a primeira morte no país ocorreu em 13 de fevereiro, quando o Japão ainda tinha 33 casos. Até aquele momento, era o terceiro país com mais casos da doença, atrás de China e Singapura.

A situação começou a piorar na primeira metade de março, quando o país saiu de 200 para 800 casos, com um crescimento diário de 9%. Na segunda quinzena de março, a porcentagem de aumento foi menor, 6%, mas isso se traduzia em números maiores: o país registrou em média 64 novos casos por dia durante a segunda quinzena do mês.

Em abril, a porcentagem do aumento dobrou em relação a março (12%). E como os números absolutos são maiores a cada dia, essa taxa se traduz em mais de duas centenas de novas pessoas infectadas diariamente no país. Tóquio é a área mais afetada e registrou, no domingo (05), 148 novos contágios, recorde local.

Falta de isolamento e de testes

O Japão suspendeu parte dos serviços, mas o país não está em quarentena oficial. Em 27 de fevereiro, mais de um mês após o primeiro caso no país, o primeiro-ministro orientou que as escolas fossem fechadas. O governo vem recomendando cada vez mais que as pessoas evitem aglomerações e saídas desnecessárias de casa, mas não determinou isolamento social.

Sem restrição direta, muitas pessoas continuam circulando normalmente pelo país. Nas redes sociais, foram compartilhados vídeos e fotos e de pessoas aglomeradas em locais públicos como praças e parques durante o mês de março.

E no início da primavera, em 23 de março, multidões se reuniram para ver o florescimento das cerejeiras no país. Foi apenas em 26 de março que o governo japonês criou uma força-tarefa para frear o avanço da doença e restringir a entrada de pessoas de 21 países europeus.

Um isolamento parcial, mesmo em países com poucos casos da doença, é “ineficiente” para barrar as transmissões do vírus, explica a infectologista Tânia Vergara. E foi o que deu ao Japão a falsa sensação de controle da doença.

Outro motivo que ajuda a explicar o baixo número de casos no começo da pandemia foi a demora no início das testagens, segundo Vergara. “Testaram só os casos graves e rastreados mesmo quando já havia infecção comunitária, foi muito pouco”, disse.

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