Joesley depõe e alega que “não tinha como saber impacto da delação sobre o preço das ações”

O empresário Joesley Batista afirmou à Polícia Federal que “não tinha como saber” a data da divulgação do acordo de delação premiada que fechou com a Procuradoria-Geral da República.

Joesley depôs nesta quarta-feira, 9, no inquérito da PF que investiga a venda de ações nos dias que precederam a notícia sobre o acordo e as aplicações no mercado de câmbio.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, principais acionistas do grupo e delatores da Lava Jato, teriam auferido ganhos extraordinários no mercado de compra e venda de dólares e ações do grupo quando o teor das delações dos executivos estava na iminência de ser conhecido.

“Eu não tinha como saber a data da divulgação nem a extensão do impacto sobre o preço das ações”, afirmou Joesley. O empresário garantiu “regularidade” das operações de venda de ações.

A delação dos Batista mergulhou o governo Michel Temer em sua pior crise política. As revelações de Joesley levaram o procurador-geral da República Rodrigo Janot a denunciar criminalmente o presidente por corrupção passiva no caso JBS. A acusação foi barrada na Câmara. Temer pediu a suspeição de Janot.

O suposto uso de informações privilegiadas teria assegurado às empresas dos Batista lucro extraordinário no mercado de dólares e ações com a divulgação do teor das delações. A investigação foi aberta por solicitação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A delação de Joesley e dos outros executivos da JBS foi tornada pública no dia 17 de maio. Vinte e quatro horas depois, a Bolsa ferveu. Na avaliação dos investigadores, as empresas do grupo lucraram na aquisição de US$ 2,8 bilhões e evitaram prejuízo de quase R$ 140 milhões.

Presidente da CPI do BNDES no Senado teve campanha financiada por JBS

Dos 21 senadores que vão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES no Senado, ao menos três receberam doações do grupo J&F na eleição de 2014, incluindo o próprio presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A CPI foi instalada na semana passada e tem como objetivo investigar empréstimos feitos pelo banco de fomento que beneficiaram o conglomerado do setor de carnes.

Dos cerca de R$ 2 milhões de doações que Alcolumbre recebeu oficialmente em 2014, R$ 138 mil foram oriundos de doações do grupo J&F. Além dele, os outros dois membros da CPI do BNDES que também aparecem na planilha apresentada pela JBS são os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO) – que recebeu R$ 833 mil de um total de R$ 4,2 milhões – e Paulo Rocha (PT-PA), que recebeu R$ 233 mil da JBS de um total de R$ 3,3 milhões de doações. Os senadores não possuem até o momento inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo o pedido de criação da CPI, de autoria do senador Roberto Rocha (PSB-MA), o colegiado tem como objetivo principal investigar supostas irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES no programa de globalização das companhias nacionais nos últimos 20 anos, com destaque para operações de financiamento do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS, cuja delação levou à investigação do presidente Michel Temer.

“O primeiro grande empréstimo do programa de internacionalização foi de US$ 80 milhões ao frigorífico Friboi, para a compra de 85% da principal empresa de carne bovina na Argentina, a americana Swift Armour. Posteriormente, dois anos após o primeiro aporte, a holding do Banco para participação acionária, o BNDESPar, concedeu um novo empréstimo/compra de ações no valor de R$ 4,5 bilhões ao conglomerado JBS-Friboi para a compra da Swift&Co. e Pilgrim’s Pride Corp nos EUA. Dessa forma, a JBS tornou-se hoje uma das mais internacionalizadas empresas nacionais”, diz trecho do documento apresentado por Rocha.

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