Jurada admite que cochilou durante depoimento do atropelador de ciclistas

O bancário Ricardo José Neis na época em que prestou depoimento na Delegacia de Crimes de Trânsito de Porto Alegre. (Foto: Alexandro Auler/AE)

O julgamento do bancário Ricardo Neis, acusado de atropelar ciclistas e ferir 17 pessoas em fevereiro de 2011 em Porto Alegre, foi retomado na manhã desta quinta-feira (24), na 1ª Vara do Júri, na Capital. A sessão começou com o depoimento do réu. No entanto, houve uma paralisação porque uma das juradas admitiu ter cochilado.

A jurada recebeu uma xícara de café. O juiz Maurício Ramires, a todos para que ficassem atentos. O réu precisou repetir o seu relato cerca de meia hora após o início do julgamento.

Neste momento o julgamento está no intervalo. A previsão de retorno é logo mais, às 14h10min.

Primeiro dia

O primeiro dia de julgamento do bancário Ricardo Neis, acusado pelo atropelamento de 17 ciclistas há cinco anos, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, foi encerrado ontem (23) por volta das 19h30min.

Passavam das sete horas de julgamento quando, às 18h, a primeira testemunha convocada pela defesa iniciou depoimento. Antes, 10 vítimas já haviam falado. Gilberto Montenegro presidiu o inquérito sobre o caso como delegado da Delegacia de Trânsito. Hoje aposentado, contou ter visto o que aconteceu no dia 25 de fevereiro de 2011 por imagens e considerou ter se tratado de um “acidente de trânsito, tranquilamente”, sem oferecer maiores explicações.

Para ele, o grupo de ciclistas Massa Crítica cometeu grave erro ao promover a mobilização daquela dia sem ter participado as autoridades de trânsito responsáveis, confirmando, a pedido do Advogado de Neis, avaliação que fizera em entrevista a um veículo de comunicação.

A seguir, Montenegro disse que o inquérito foi “tumultuado” por conta da repercussão, inclusive internacional, que tornou o caso de “amplitude muito grande”.

Confrontado pela promotora Lúcia Callegari, afirmou não lembrar de ter interrogado Neis em qualquer tempo, apesar de ter sido o autor do pedido de prisão preventiva. “Ele tinha pedido para sair do Estado”, observou o delegado sobre o réu, revelando que a investigação descobrira documento com esse teor na Casa da Moeda.

Logo após o delegado, foi chamada para depor o Advogado Sérgio Peroto, que se disse especializado em Direito de Trânsito e mobilidade urbana. Depois de assistir a imagens do incidente, considerou que os agentes de trânsito de Porto Alegre foram “omissos” ao não providenciarem proteção aos manifestantes.

Perguntado pelo representante do MP sobre se via algo errado na postura dos ciclistas, apontou irregularidades nos itens de segurança, como falta de capacetes e espelhos retrovisores.
A pedido do representante da defesa, advogado Manoel Pedro Silveira Castanheira, o depoente avaliou a folha de infrações de trânsito de Neis como “quase risível”. Segundo ele, cinco infrações de trânsito em um período de três anos (2008 a 2010) é um “histórico pequeno”.

Uma terceira testemunha, perito do IGP, foi dispensada pela defesa do réu.

Acompanhe o julgamento pelo twitter: https://twitter.com/tjrsaovivo.

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