Lula adiou em 21 dias a sua caravana pelos Estados do Sul do País

17O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou em pelo menos 21 dias a caravana que pretende fazer pelos três Estados da Região Sul do Brasil. Originalmente programado para o dia 27 deste mês, o périplo deve começar somente no dia 19 de março, na cidade de Bagé (RS).

Em princípio, a caravana seria concluída com um ato político no dia 7 de março em Curitiba (PR), “quartel-geral” da Operação Lava-Jato. Não há informações sobre a nova data, mas está mantida a programação de encerramento na capital paranaense, endereço do juiz federal Sergio Moro, principal responsável pelos processos da força-tarefa em primeira instância.

O líder petista aguarda uma definição sobre a sua eventual prisão, após a confirmação de sua condenação em segunda instância pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre), no mês passado.

De acordo com o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), a decisão de adiar a caravana – anunciada na noite da quinta-feira – atende a um pedido dos organizadores. Pimenta argumenta que havia um descompasso na agenda com o período letivo: “Há muitas atividades em universidades e ainda há algumas em período de férias”.

O site do Instituto Lula corrobora essa versão, informando que “a viagem será postergada para ajustar o roteiro ao calendário estudantil”. Além disso, conforme a entidade, a alteração das datas vai ao encontro da agenda de outros líderes latinoamericanos, que devem participar da caravana em Porto Alegre e na cidade de Santana do Livramento (na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai), onde Lula pretende se reunir com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica.

Ainda de acordo com a nota do Instituto Lula, a caravana deve passar por pelo menos 14 cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A programação divulgada semanas atrás inclui, ainda, uma visita ao túmulo do presidente Getúlio Vargas, em São Borja (RS).

No ano passado, Lula promoveu três caravanas. A primeira delas, passou pelos nove Estados do Nordeste. Nos meses seguintes, também promoveu eventos em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Depoimento adiado

Nesta semana, a Justiça Federal adiou um depoimento do ex-presidente que estava marcado para a próxima terça-feira. O político que governou o País entre 2003 e 2010 seria interrogado pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília.

A decisão atendeu a uma determinação do desembargador federal Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), a pedido das defesas de Lula, de seu filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva, e do lobista Mauro Marcondes Machado – os dois últimos também são acusados na ação.

Os advogados alegam que os interrogatórios haviam sido marcados antes que fossem ouvidas todas as testemunhas de interesse das defesas, especialmente as que residem no exterior.

Líder em pesquisas

O adiamento da caravana ocorre em meio a um dos momentos mais delicados da trajetória política de Lula. Em janeiro, o ex-presidente foi condenado em segunda instância no chamado processo do triplex do Guarujá (SP), no âmbito da Lava-Jato, a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sua defesa afirma que não há provas dos rimes e que evidências da inocência do petista foram ignoradas.

A condenação em segunda instância torna Lula, em tese, inelegível de acordo com as regras da Lei da Ficha Limpa. Além disso, pode levá-lo à cadeia tão logo se esgotem os recursos disponíveis à defesa no próprio TRF-4, em que o ex-presidente foi condenado.

No momento, os seus advogados contestam no STF (Supremo Tribunal Federal) o início da execução da pena de Lula após a segunda instância, entendimento aprovado pelo Supremo em 2016, e querem que o ex-presidente recorra a todas as instâncias disponíveis em liberdade. Segundo a defesa, a prisão neste momento viola a presunção de inocência prevista pela Constituição.

Apesar das questões judiciais, Lula foi o líder em todos os cenários da última pesquisa de intenção de voto feita pelo Instituto Datafolha, divulgada no dia 31 de janeiro e feita depois de seu julgamento no TRF-4.

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